
Assim como Ronaldo Caiado precisa do PT para murchar a candidatura de Flávio Bolsonaro e passar ao segundo turno, Lula precisa de Donald Trump para receber um sopro de popularidade. Em sua egotrip, Trump não admite que a afinidade com ele é kryptonita. Ganhe alguém o apoio de Trump e – zump – o desprezo pelo líder dos EUA no exterior tem o condão de definhar a candidatura. Lula entende do metiê e tenta agora arrumar alguma confusão que empurre lomba acima sua taxa de aprovação.
“O Trump não sabe o que é um pernambucano. Se não, ele não vai fazer ameaça nunca aqui. Se ele soubesse da minha descendência (sic) com Lampião, ele tomava muito cuidado”, fanfarronou Lula em 10 de abril na inauguração do novo campus do Instituto Federal de São Paulo, em Sorocaba. O problema de Lula é que ele não está conseguindo atrair a atenção de Trump, mais ocupado em brigar com a Europa, a China, o Irã, a Rússia, o Japão, a Índia e, na longa lista, agora o Vaticano e os cristãos com seus ataques ao papa e a encarnação blasfema como Jesus Cristo.
Com um Trump cada vez mais bélico e fora da casinha, Lula quer inticar com o presidente dos EUA não só para fazer um contraponto de pacifismo e sensatez. A radioatividade de Trump é uma arma contra o bolsonarismo, que tem no trumpismo seu ninho ideológico. Quanto mais os Bolsonaro, pai e filhos, se abraçarem a Trump e sua metralhadora-giratória, mais seus adversários terão a ganhar.
O apoio de Trump a conservadores já virou eleições perdidas para os rivais, como a inesperada vitória do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que no fim de semana passado também consolidou a maioria no parlamento. O Canadá, registre-se, era amigo do peito da Casa Branca até Trump ameaçar anexar o vizinho. Outro vexame retumbante foi o do aliado mais próximo de Trump na Europa, Viktor Orbán, na Hungria. Pela corrupção e crise econômica, o destino de Orbán já estava selado nas urnas, mas a presença do vice-presidente J. D. Vance na reta final da campanha foi o beijo da morte da autocracia.
Por aqui, Lula não move um músculo sem olhar o sobe-e-desce das pesquisas. Sua última curva para cima ocorreu após o tarifaço de Trump, em abril de 2025. Pelo Datafolha, o percentual de conceito de ótimo/bom subiu de 24% para 33% entre o anúncio das represálias estimuladas por Eduardo Bolsonaro e setembro de 2025, período em que Lula se enrolou na bandeira do nacionalismo para corretamente defender os interesses brasileiros.
Lula precisa agora de mais uma mãozinha de Trump. “Fala do Pix”, cochichou a Lula em um evento seu ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira. Um novo ataque de Trump ao Pix será combustível na veia da candidatura Lula. O bolsonarismo vai ter de fazer muito contorcionismo para se desvencilhar do fardo.



