
É um vendaval. Dias depois de o Google lançar o gerador de vídeos Veo 3, a internet já estava tomada pelos videozinhos produzidos por inteligência artificial com imagens e som incrivelmente realistas. É tanto, com tanta gente fazendo os vídeos, que saturou. Encheu os tubos, para não dizer outra coisa.
Já no primeiro contato, o Veo 3 se revelou uma daquelas maravilhas da tecnologia que surgem a cada 10 anos. Com ele, sem dúvida, há o antes e o depois na produção de vídeos. Qualquer garoto em seu quarto tem agora diante de si uma ferramenta simples capaz de gerar efeitos especiais e filmes que antes pareciam restritos aos estúdios de Hollywood.
Agora, mal se abre uma rede social e já tem alguém postando ou repassando videozinhos com piadas da quinta série
É tão rápido e barato fazer brotar cenas que, na vida real, custariam centenas de milhares de dólares que o troço, previsivelmente, explodiu. Alguns que sacaram mais rápido criaram personagens como a Marisa Maiô, transformada em fenômeno instantâneo de publicidade. Como foi um sucesso, logo surgiu um comboio de imitadores. Agora, mal se abre uma rede social e já tem alguém postando ou repassando videozinhos com piadas da quinta série. Foi divertido ali no início, mas no nonagésimo sexto vídeo do dia com o mesmo estilo a coisa claramente torrou a paciência.
Outra pedra cantada: o Veo 3 inundou as redes com histórias falsas, o que se transformou em mais um desafio, e dos grandes, para se separar a verdade e a mentira. Sem surpresa, o Veo3 também foi capturado para fazer política, e ativistas de esquerda impregnaram cada canto da internet com uma campanha contra o Congresso, Hugo Motta e os mais ricos, reavivando o mote do “nós contra eles”. É barato, mas ficou fake.
Como tudo que é exagerado, os videozinhos hiper-realistas gradativamente perderão valor. Pense numa obra de arte, por exemplo. Vamos supor que o original valha mil. As cópias assinadas e numeradas valem cem. As reproduções aos borbotões não valem nada. Estas últimas, como nascem sem esforço ou limitação, serão como a grande maioria dos vídeos em Veo 3 — peças descartáveis, sem mérito algum.
Na corrente oposta dos vídeos por IA, a raridade e, portanto, o que tem mais valor, passará a ser a produção e o contato humanos. Autenticidade será a partir de agora a moeda mais valorizada porque, como o ouro no solo, ela não é abundante. As empresas que trocarem seus irritantes robôs virtuais por atendentes humanos prestarão um serviço melhor e mais disputado. O artesanato crescerá de relevância. Pinturas, esculturas, filmes e textos primorosos, desde que feitos com e por gente real com estilo único, poderão ser cobrados a preços mais altos. No mundo da inteligência virtual, a nova onda será a do toque humano. Deu pra ti, Veo 3.


