
Sempre que são criadas barreiras econômicas por tarifas, sanções ou obstáculos alfandegários, o comércio encolhe juntamente com os ideais liberais de fronteiras abertas para a livre iniciativa. Mas, quando Donald Trump declara uma guerra tarifária, nem todos saem perdendo. Como suas decisões em alguns casos equivalem a sanções, ainda que a economia seja afetada de forma geral, a geopolítica move-se na direção de quem se opõe à hegemonia norte-americana. Abaixo, um resumo do perde-ganha.
Ninguém é tão ameaçado, porém, quanto o México e o Canadá, que concentram mais de 70% de suas exportações nos Estados Unidos
Perdem
- Todas as empresas e países que têm comércio robusto com os Estados Unidos, em especial os aliados mais próximos, como a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul. Ninguém é tão ameaçado, porém, quanto o México e o Canadá, que concentram mais de 70% de suas exportações nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia, as exportações do Brasil para os EUA equivalem a 12% do total. É muito, mas não define a vida ou morte da economia, como nos casos mexicano e canadense.
- Em decorrência da rasteira geral de Trump, os EUA sofrem um revés na confiança como parceiro comercial. Os negócios internacionais não sobrevivem no longo prazo sem a solidez de regras com alguma estabilidade. Diante do isolacionismo dos EUA, os países saem em busca de alternativas.
- O consumidor norte-americano pagará a conta da obsessão de Trump. Sempre que uma tarifa é elevada, o governo cobra a alíquota do importador, que, obviamente, a repassa para o consumidor. Em junho, os cofres americanos recolheram um recorde de U$ 27 bilhões em tarifas. É por isso que o mercado espera mais inflação e, como consequência, a manutenção de juros mais altos nos EUA.
- O dólar já caiu 13% em relação ao euro desde o início do ano. Há uma batelada de razões, como o preocupante déficit dos EUA, mas a questão de fundo é a erosão da confiança nos Estados Unidos como âncora da economia mundial.
Quando um país sofre sanções, o líder local se beneficia politicamente, a exemplo de Vladimir Putin e agora de Lula
Ganham
- Ainda que, no curto prazo suas economias sejam prejudicadas, no longo prazo beneficiam-se aqueles que se apresentam como alternativas aos EUA, como Índia e China, que tendem a ganhar mercados. O Brasil, por exemplo, ampliou suas compras da China em 11,5% no primeiro semestre.
- Quando um país sofre sanções, o líder local se beneficia politicamente, a exemplo de Vladimir Putin e agora de Lula. Como as penalidades atingem a todos, elas são usadas como fator de coesão interna e de justificativa para toda sorte de problemas econômicos, tenham ou não ligação com as sanções.
- Todos os países com baixo ou nenhum comércio com os EUA, seja por distanciamento histórico, como o Cazaquistão, ou por terem sido isolados, como Irã e Cuba. Por não terem nada a perder, se beneficiam do afastamento norte-americano de antigos parceiros comerciais.

