A humorista Ivangélica é a convidada desta semana do Potter Entrevista, da Rádio Gaúcha. Na conversa com Luciano Potter, ela relembra os anos limpando ônibus em uma fábrica, a separação que descreve como "a virada de chave" e o caminho que a levou da portaria de um clube de comédia para os palcos lotados.
Natural de Vacaria, Ivangélica saiu de casa aos 18 anos com um sonho bem específico: trabalhar em uma empresa grande, "dessas que têm participação nos lucros". Trabalhou por cinco anos em uma fabricante de ônibus, onde limpava os veículos depois de prontos. É essa origem que ela reivindica como base de tudo.
— Eu via os anúncios dos shows no teatro da minha cidade e não conseguia ir. Na minha cabeça, aquele não era um lugar pra eu estar. Hoje o meu público chega e diz que é a primeira vez num show de stand-up e eu entendo que não é que eles não quisessem ir: é que não fazia parte.

O ponto de virada, conta, foi a separação depois de nove anos de casamento. Pouco tempo depois, apareceu o anúncio de que o Polenta Comedy Club abriria em Caxias do Sul, cidade onde mora. Ela passou a ir a todos os shows pagando ingresso, virou amiga do dono e assumiu a portaria da casa. Deu tão certo que precisou sair, porque já causava "tumulto" com o público que aparecia só para vê-la.
— É agora. Agora é minha vez, chegou meu momento — resume o que sentiu.
A conversa também passa pela turnê que deu prejuízo, pelos shows corporativos, pelo peso, pelos pedidos de dinheiro que viram piada e pelo sonho de ter um programa próprio. No fundo, uma defesa do humor sem amarras.
— Não existe regra pra nada. E não tem que existir regra pra nada. O humor é fazer as pessoas rirem.





