O jogador Ricardinho Alves é o convidado desta semana do Potter Entrevista, da Rádio Gaúcha. Maior medalhista da história do Rio Grande do Sul entre atletas olímpicos e paralímpicos, com quatro ouros e um bronze, ele também é o maior goleador da história do futebol de cegos, com 369 gols na carreira, além de capitão da seleção brasileira e dono de 46 títulos.
Na conversa com Luciano Potter, Ricardinho relembra a perda da visão aos oito anos, depois de dois anos de tratamento e cinco cirurgias por descolamento de retina. Ele conta que tentou esconder da mãe que não enxergava mais e diz que, naquele momento, o que mais doeu foi imaginar que não poderia seguir jogando bola.
— Para mim, pior que perder a visão, porque eu tive que me adaptar, foi achar que eu não iria mais jogar futebol — afirma.
O atleta também fala sobre memória, sonhos e as adaptações que precisou fazer para seguir vivendo com autonomia. Ao explicar como o cérebro foi se reorganizando depois da perda da visão, Ricardinho diz que, no início, ainda sonhava enxergando, mas isso mudou com o tempo.
— No sonho eu sou cego também — conta.

A entrevista ainda passa pela carreira no Japão, onde virou documentário e personagem de mangá, pelos cães de assistência que treina, pela rotina de alto rendimento, pela rivalidade com a Argentina e pela forma como a sociedade enxerga pessoas com deficiência. Para Ricardinho, combater o preconceito passa por informação e por olhar antes para o ser humano.
— É mais importante avaliar o que tá no íntimo do que a parte exterior — resume.


