O humorista paranaense Serginho Lacerda é o convidado desta semana do Potter Entrevista, da Rádio Gaúcha. Na conversa com Luciano Potter, ele relembra os 15 anos fazendo shows para plateias vazias, a virada de chave em 2022 com um vídeo sobre paternidade e futebol, o processo de trazer crianças para o palco e a perda da mãe, em outubro de 2025, que colocou o humor à prova como ferramenta de sobrevivência.
Lacerda conta que a virada aconteceu depois de um show em Caxias do Sul, em agosto de 2024, com apenas 46 ingressos vendidos e 13 cortesias. Na volta para casa, pensou em desistir dos palcos e focar só nas redes. Foi o produtor Paulo quem o convenceu do contrário — e o humorista decidiu abandonar um público mais comportado que havia atraído com vídeos sobre paternidade para mostrar o pai que ele realmente é, com um tom mais debochado dentro de casa.
A partir daí, as crianças foram invadindo os shows — primeiro na plateia, depois no palco. Hoje, segundo ele, são os filhos que levam os pais aos teatros. E o humor voltado para elas mudou também sua forma de olhar para o próprio ofício.
— Qualquer humorista tinha que testar com criança antes de qualquer coisa. Se não for engraçado, não vai rolar — diz.
Na entrevista, Lacerda fala sobre os bloqueios que tomou no Instagram por piadas envolvendo crianças, o cuidado que passou a ter com o que corta do show para postar e a diferença entre o que se diz em cima do palco e o que se pensa fora dele.
— A própria piada, quando a gente faz, de maneira alguma é realmente o que você pensa. Porque senão acaba não tendo nem graça. O mais engraçado é a gente tentar fugir do óbvio — afirma.

O humorista também aborda a morte da mãe, aos 63 anos, e o voo de Recife a Curitiba em que soube da notícia. Fala do luto que o humorista costuma não viver, do amigo Rafael Aragão, que perdeu a mãe exatamente um mês depois, e do filho Bento, que reagiu à sua maneira ao velório da avó.
— A gente tem que seguir. Por mais que a dor da mãe faltando seja algo que nunca vai suprir, a gente tem que seguir. Acho que o humorista tem um grande defeito, que é talvez não viver o luto — diz.


