O cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler é o convidado desta semana do Potter Entrevista, da Rádio Gaúcha. Em conversa com Luciano Potter durante passagem por Porto Alegre, ele fala sobre música, corpo, palco, finitude e o carinho recebido no Rio Grande do Sul.
O papo começa pela admiração de Drexler por Gonzaguinha. Ao comentar O Que É, o Que É?, o artista afirma que uma grande canção não depende apenas da letra ou da melodia, mas de algo que nasce da relação entre as duas. Para ele, a música de Gonzaguinha une perguntas filosóficas, estrutura musical e uma explosão de vitalidade coletiva. Ele diz que o verso “viver e não ter vergonha de ser feliz” provoca uma reação física em quem canta.
— Você levanta as mãos, abre o corpo, se oferece ao público e ao destino — afirma.
Na entrevista, o artista também fala sobre o disco que nasceu após a morte do pai, sobrevivente do Holocausto que construiu uma vida no Uruguai. Segundo Drexler, o luto não segue uma lógica previsível e pode despertar vontades contraditórias.
— O luto deve ser a experiência humana mais desconcertante, porque não é como você espera — diz.

Drexler também relaciona a consciência da finitude ao desejo de celebrar a vida com os outros. Filho de médicos, ele reflete sobre o corpo, a alegria compartilhada e a tentativa humana de ser feliz mesmo sabendo que a vida acaba.
— A alegria comunitária é muito mais rica do que a alegria solitária — resume.
A conversa passa ainda pela importância do olhar no palco, pelas três noites no Auditório Araújo Vianna e pelo hábito de sair para dançar depois dos shows. Ao falar da generosidade do público brasileiro, Drexler diz que pretende gravar um disco no país.
— Acho que vai ser a maneira de devolver isso que a gente me dá aqui — afirma.



