A monja zen-budista Monja Coen e o rabino Nilton Bonder são os convidados desta semana do Potter Entrevista, da Rádio Gaúcha. Gravada durante o Festival Fronteiras, em Porto Alegre, a conversa conduzida por Luciano Potter reuniu reflexões sobre espiritualidade, ciência, ego, propósito e as formas de encontrar calma em meio às inquietações do presente.
Ao longo da entrevista, Monja Coen defende que o caminho espiritual passa por uma ampliação da consciência, capaz de tirar o indivíduo de uma lógica centrada apenas em si mesmo. Para ela, o ego tem função importante na vida humana, mas não deve ocupar o lugar de comando.
— Acho que o importante é o despertar da consciência, o despertar de uma percepção mais ampla de um eu pequenininho, eu e o mundo, e a gente sair da primeira pessoa do singular para do plural, nós — afirma.
Nilton Bonder também aborda a relação entre tradição religiosa e mundo contemporâneo. Para o rabino, a ciência oferece respostas fundamentais, mas não substitui a busca humana por propósito e sentido.
— Quanto mais luminosidade tem as clarezas científicas, mais essa penumbra que tem a ver com a meditação, que tem a ver com o canto, mais função isso tudo tem para todos nós — diz.

Em outro momento da conversa, Potter relembra a frase dita pela mãe antes de suas viagens – “que Deus te acompanhe” – e questiona por que passou a compreender essa mensagem de outra forma com o tempo. Bonder responde a partir de uma história sobre um menino que caminha lentamente ao lado do avô rumo à sinagoga.
— Você tem que saber lugares que você já chegou. Você não precisa ir para lugar nenhum — afirma.
A Monja Coen também fala sobre a relação entre tecnologia, violência e consciência. Ao citar uma conversa com Ailton Krenak, ela lembra que a humanidade passou a perceber a finitude da Terra e alerta para a importância de usar a tecnologia sem ser consumido por ela.
— A coisa mais preciosa do ser humano é a consciência — afirma.




