
O convidado desta semana do Potter Entrevista é o médico e escritor J.J. Camargo. Além da vasta experiência técnica, sendo conhecido por ter realizando o primeiro transplante de pulmão intervivos fora dos Estados Unidos, o médico é conhecido pela visão humanista da profissão e por suas crônicas, trazendo reflexões sobre a relação entre médico e paciente e a importância da empatia no tratamento.
Na conversa, Camargo fez uma análise sobre o impacto da tecnologia na área da saúde, destacando que a humanização é a única forma de sobrevivência do profissional diante da ascensão da inteligência artificial. O cirurgião enfatizou que, enquanto a máquina superará o ser humano no banco de dados e na técnica pura, ela jamais poderá substituir a capacidade de escuta e a compaixão.
— Eu sei quem serão os primeiros (médicos) a serem demitidos pelos robôs: aqueles que por rigidez afetiva mais se parecerem com o robô. Na comparação com a máquina, ele é caro e inútil.
O médico também detalhou a delicadeza necessária para comunicar diagnósticos graves, defendendo a "verdade útil" em vez da "verdade total", que pode ser cruel e "justificar a morte da esperança" de um paciente. Camargo falou ainda sobre os três pilares dos cuidados paliativos, analgésico, oxigênio e perdão, e o poder que o perdão, a reconciliação e a poesia podem ter nos momentos finais da vida de uma pessoa.


