No episódio deste sábado (18) do Potter Entrevista, gravado no camarim do Auditório Araújo Vianna, o músico Humberto Gessinger mergulhou em reflexões sobre arte, música e os tempos digitais.
Com 61 anos de idade e 40 de carreira, desde o lançamento do primeiro álbum do Engenheiros do Hawaii, Gessinger revela que prefere o áudio à imagem e que o rádio sempre foi mais presente em sua vida do que o futebol.
— Eu descobri agora que eu não gosto de futebol, eu gosto de rádio — brincou.
Gessinger também falou sobre o processo de composição e como ele se transformou ao longo dos anos.
— Se fosse só pra se expressar, era melhor lançar uma planilha do Excel. 'Neste mês, 31 dias, em vinte eu fiquei deprimido e em dez eu fiquei feliz'. Né? Acho que muito da música a gente faz para se equilibrar.
Ao descrever o processo de criação, Gessinger afirma que ele é "obscuro", não linear. A espontaneidade, segundo ele, é parte essencial da criação.
— Com o tempo, eu fiquei gostando cada vez mais de não dominar ele. No início eu ficava, "pô, eu quis dizer aquilo, tô entendendo isso". E depois eu comecei a achar nisso uma virtude.
A entrevista também trouxe memórias da composição de “Infinita Highway”, escrita em parte durante uma final do Grêmio nos anos 80. Sem saber que se tornaria um clássico, Gessinger contou que a música “deu sorte” ao tocar nas rádios, mesmo com seus seis minutos de duração.
— Não faz o menor sentido no Infinita tocar no rádio. Foi um sucesso. Abriu uma porta — relembrou.




