
O Vasco que chega a Porto Alegre nesta sexta-feira (11) vem de roupa nova e pinta de bacana. Está a um passo de se tornar o novo primo rico do futebol brasileiro.
A Justiça do Rio autorizou nesta quinta-feira um novo empréstimo de R$ 150 milhões da Almirante, a candidata a comprar a SAF deixada pela 777.
Em outubro, a Justiça já havia autorizado empréstimo de R$ 80 milhões à Crefisa — cuja dona é Leila Pereira, madrasta de Marcos Lamachia, a quem a Almirante está ligada.
Lamachia prometeu injetar R$ 500 milhões em cinco anos no futebol. Ao todo, o negócio da SAF vascaína girará em torno de R$ 3 bilhões.
O Vasco já surfa nessa onda. Nesta janela, gastou 19,4 milhões de euros (R$ 115 milhões) em Lescano, Sosa, Colídio e Bruno Duarte, zagueiro trazido do Copenhagen. Ofereceu pouco mais do que isso, 20 milhões de euros, por Richarlison. O Tottenham pediu mais. O negócio precisa sair até esta sexta.
Nesta quinta, além de liberar novo "empréstimo" à Almirante, a Justiça do Rio também marcou o leilão da SAF vascaína. No dia 28, serão abertos os envelopes com as propostas. Será surpresa se aparecer outro interessado que não seja Lamachia.
Pelos valores que propõe e também por aditar ao contrato a garantia de que o pagamento das parcelas da Recuperação Judicial estará garantido pela Almirante. É aqui que reside a grande discussão sobre essa mudança de vida do Vasco.
Em fevereiro do ano passado, o Vasco entrou com pedido de recuperação judicial, atolado em dívida de R$ 1,4 bilhão, somados os débitos da associação e da SAF. A homologação veio em dezembro.
A RJ permitiu ao clube ganhar um fôlego, estabelecer um calendário bem alongado de pagamentos. São 600 credores, sendo 257 trabalhistas.
Alguns dos credores, como clubes, levarão mais de 10 anos para obter os valores. O Inter é um desses "sortudos", que possui uma quantia para receber do clube carioca na casa dos R$ 21 milhões referente à venda do atacante David — devendo receber entre 10 e 15 anos.
Estas pendências representam um contrassenso. O mesmo clube que gastou R$ 225 milhões (até aqui) em contratações neste ano, vitaminado pela receita de um novo dono, é o mesmo que pagará credores em quase duas décadas.
A lei permite. Mas essa incoerência acaba por impactar no ecossistema todo da Série A. Seja no campo ou no caixa.
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