No último domingo (2), depois do empate com o Mirassol, Luís Castro usou números para embasar sua avaliação de boa performance do Grêmio e sustentar sua observação de evolução do time. Está longe de ser novidade ele trazer para a sua entrevista dados estatísticos mais específicos do dia a dia da análise de desempenho, como os do expected goals (xG). Os xGs, aliás, aparecem com frequência em suas respostas nas entrevistas coletivas depois do jogo.
Mas o que significa isso? A grosso modo, é o número de gols que um time deveria ter feito com as oportunidades criadas em 90 minutos. Esse cálculo é precedido por um imenso banco de dados, no qual são analisados os arremates do time e considerados fatores como a distância da trave em que a bola passou, a angulação do chute, como foi dado o arremate — se com o pé, a cabeça, a canela, o joelho —, a pressão da defesa, o ponto do campo em que foi dado o chute, a posição do goleiro naquele momento.
Um algoritmo pega todos esses elementos e calcula qual o percentual de chances de a bola parar na rede. Por exemplo: o gol perdido por Braithwaite no último minuto contra o Bolívar tinha um xG elevadíssimo, próximo de 100%. Ele acertou o poste em arremate da pequena área, com o goleiro caído. Pelos números trazidos por Castro, o Grêmio teve xG de 3,9 gols contra o Bolívar. Não fez nenhum e caiu da Sul-Americana para um clube boliviano dentro da Arena.
Na prática
No Brasileirão, o Grêmio é o oitavo no ranking nessa estatística. Fez 21 gols em 22,88 esperados, é o oitavo nesse quesito. Ou seja, sua produção de gols está de acordo com o que cria, já que deveria ter apenas 1,88 gol a mais.
Para comparação, o Palmeiras é modelo de eficiência máxima. Seu expected goals é de 26,55, mas ele é tão preciso e letal em cada arremate que seu número de gols supera o algoritmo, com 36 gols feitos (quase 10 acima do esperado).
Na ponta oposta desse ranking, está o Inter. Seu xG é de 34,7 gols, mas a falta de eficiência no arremate o coloca com apenas 22 gols. Ou seja, tem xG negativo de 12,7.
No caso do Grêmio, mesmo que o número possa mostrar produção, o campo acaba sem refleti-lo. Há dificuldades técnicas, de criação e, principalmente, ausência de processos coletivos. Como mostra o Palmeiras, o número elevado nem sempre mostra o quanto isso repercute no campo, na hora do jogo.
A organização, o conceito bem aplicado de jogo e, principalmente, o engajamento de todos os jogadores na execução é que criam o gol, a eficiência nas ações e, principalmente, a confiança. Algo que parece minguar a cada jogo do Grêmio.
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