
O Grupo de Estudos Técnicos da Fifa apresentou suas conclusões sobre o futebol jogado na Copa 2026, neste sábado, no Estádio MetLife, palco da final.
Liderados por Arsene Wenger, pelos ex-jogadores Gilberto Silva, Pablo Zabaletta, pelo técnico e ex-atacante Jurgen Klinsmann, por Pascal Zuberbühler e Michael O'Neill, o comitê fez uma rápida análise sobre os dados coletados.
Alguns pontos que detectaram na Copa: o número de gols de fora da área dobrou em relação à Copa de 2022: eram 8% e foram 16% agora.
— O jogador mostra coragem em arriscar de fora da área. Isso será a receita para o futuro. Muitos times copiarão essa tendência — apostou Klinsmann.
Outra percepção foi a pressão dos atacantes na saída de bola adversária. Os oponentes foram forçados a usar bolas longas mais vezes, um aumento de 15%. A interrupção da posse subiu 14%.
Ou seja, os atacantes roubaram 14% mais vezes a bola dos defensores. Arsene Wenger, técnico lendário do Arsenal, aponta esse aumento e o acréscimo de um híbrido de meia e atacante nessa função:
— No Catar, víamos um jogador na marcação da saída de bola do adversário. Agora, vimos dois jogadores. As seleções mudaram sua pressão. O segundo atacante é um jogador de meio-campo que ajuda na marcação. Não existe atacante puro nessa estrutura. Um deles precisa ser mais flexível, trabalhar no meio-campo e atuar no ataque na pressão a quem está com a posse — avaliou.
Segundo Pascal Zuberbühler, o 4-4-2 mais adiantado permite que os times cubram o campo.
Bloco baixo para o ataque
Houve aumento da saída do time em bloco baixo para o ataque. Era 21% no Catar e foi de 25% nesta Copa. O que significa isso: os times se fecham na defesa e, ao recuperarem a bola, saem para o ataque com transições rápidas ou com troca de passes, como fazem Espanha e Argentina.
— Times foram eficientes de transformar o bloco baixo em ataque. Argentina, França e Espanha usam bloco baixo como plataforma de ataque — apontou Wenger.
De acordo com o estudo, houve uma redução do uso de bloco médio (a linha defensiva na intermediária) e um aumento da adoção do bloco baixo, com a linha de defesa mais profunda.
— Muitos times acreditaram nessa formação porque tinham jogadores velozes ou não tão bons. Vimos diversos times trabalhando na defesa — disse Zabaleta, ex-lateral da Argentina e do Manchester City.
Pentacampeão em 2002, Gilberto Silva explica:
— Quando tem laterais rápidos e de boa saída, alguns times atraem o adversário e, rapidamente, trocam o lado da jogada. Fica difícil de a defesa reagir. A França trabalhou bem isso.
Análise física
A velocidade máxima média dos jogadores também subiu em relação ao último Mundial. Ela era de 30,9 km/h e subiu para 31,3 km/h. Isso está ligado ao uso do bloco baixo.
O baixo crescimento se deu, conforme o grupo de estudo, poque os times estavam mais compactados e organizados na fase defensiva. Isso é resultado das demandas táticas.
Todos os outros dados caíram em relação a 2022.
- Distância por jogador: de10 km para 9,7km
- Distância de corridas em alta velocidade: de 13km para 12km
- Distância em sprints de baixa velocidade (entre 20 km/h e 25 km/h): de 505m para 463m
- Distância em sprints de alta velocidade (acima de 25 km/h): de 160m para 159m
Cobranças de faltas
Ao contrário do que se vê na Premier League, em que o uso de movimentos do basquete na bola parada viraram tendência, a Copa mostrou pouquíssima variedade nesse aspecto. O grupo aponta a falta de tempo para treinos e a proximidade de um jogo e outro como fator.
— Não vemos grandes diferenças nas cobranças de falta. E isso é mais decepcionante — aponta Klinsmann.
Goleiros
Houve aumento nas intervenções dos goleiros porque os times usaram mais da bola alçada para a área e porque houve mais cobranças de falta diretas em busca do cabeceio. Isso é reflexo do dado anterior, do aumento do uso das linhas mais baixas.
Os goleiros fizeram mais bloqueios em X, aquele em que faz o gesto da aranha, um recurso trazido do handebol. O número de defesas desse tipo foi de 3,6% na Copa de 2026 contra 3,1% no Catar.
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