
A ressaca da Copa ainda lateja na cabeça dos brasileiros e, mais ainda, na cabeça da Seleção. Depois de um longo e exaustivo trabalho para chegar até aqui, é natural ter um tempo para respirar e ganhar fôlego para ali adiante.
Imagino, no entanto, que o ciclo 2026-2030 já esteja desenhado, com Carlo Ancelotti encabeçando o projeto técnico.
Esse projeto não pode estar vinculado apenas à Seleção principal. Ancelotti precisa capitanear todas a partir da sub-17. Não que ele tenha de ficar na beira do campo, comandando os guris. Mas a comissão técnica precisa ser a dele, com um técnico indicado por ele e um trabalho alinhado com o que ele pensa para a principal.
O lançamento cada vez mais precoce de jogadores faz com que a sub-17 seja, hoje, o que foi a sub-20 até alguns anos atrás. É preciso estar atento porque alguns desses guris de 17 anos terão 20, 21 na Copa de 2030.
O Palmeiras lançará no segundo semestre agora Eduardo Conceição, 16 anos e figura da seleção sub-17. João Paulo Sampaio, diretor da base palmeirense, o classificou como "fenômeno da natureza".
O Mundial Sub-17 será disputado em novembro, no Catar. Já precisa estar no plano de trabalho.
A Sub-20, já em fase de preparação para o Sul-Americano de 2027, tem nomes como Luis Eduardo, do Grêmio, Arthur Dias, zagueiro do Athletico-PR e Erick Belé, meia do Palmeiras.
Avançando mais, a seleção pré-olímpica buscará vaga nos Jogos de Los Angeles 2028. Há uma dificuldade de liberação dos jogadores dos clubes europeus e, em alguns casos, até mesmo dos brasileiros.
Porém, se há uma seleção que pode ser a antessala da principal, é a sub-23. Ancelotti precisa estar diretamente conectado com ela e não seria exagero colocá-lo na beira do campo.
Se a CBF conseguir a liberação de nomes importantes já instalados na Europa, o Pré-Olímpico seria um bom período de trabalho. Isso, claro, caso ele seja realizado. Na última Olimpíada, a vaga veio através do Sul-Americano Sub-20.
Temos um caminho longo pela frente, de reformulação e construção de uma nova Seleção. O novo grupo deve ter, claro, remanescentes desse que esteve aqui em Morristown. Mas possivelmente eles não completem metade das 26 vagas.
Por isso, é preciso ampliar o radar e criar um eixo único entre as Seleções, da sub-17 à principal.
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