
O Cotton Bowl está tão esquecido na correria de Dallas que há dificuldades para fazer o motorista de aplicativo encontrar a entrada dele. É verdade que o estádio, um colosso de cimento de 91 mil lugares, está dentro do Fair Park, um complexo com museus, lago, aquário, um pavilhão para shows e espaço para famílias caminharem.
Para se ter uma ideia do tamanho do parque, ali está instalada a Fan Festival. No coração do Fair Park, encontra-se o estádio, histórico para nós, brasileiros. Foi nesse local de dois andares e arquibancadas de inclinação suave que o Brasil venceu a Holanda por 3 a 2 e pavimentou o caminho para o Tetra. Foi aqui no Cotton Bowl que Bebeto fez o gol nos holandeses e comemorou com Romário e Mazinho embalando Matheus, o filho que estava por chegar. Nesse mesmo jogo, o gaúcho Branco cobrou falta com curva e potência inverossímeis e deu a vitória ao Brasil. Bons tempos.
A Espanha tirou o Cotton Bowl do anonimato nesta Copa. Treinou no estádio antes do jogo pelas oitavas, contra Portugal, e agora repete a dose antes de encarar a França, pela semifinal. O gramado está impecável depois da reforma feita antes a chegada dos espanhóis. As arquibancadas estão bem conservadas, assim como as plataformas de metal que servem de assento.
O Cotton Bowl já foi casa do Superbowl, em 1967. Até 2009, era a casa do Cotton Bowl Classic, jogo de futebol americano universitário. Porém, com a inauguração do estádio do Dallas Cowboys, em Arlington, na região metropolitana, o evento se mudou para lá. Também pudera, a casa do Dallas Cowboys, construída ao custo de US$ 1 bilhão, é uma superssala de cinema dos esportes, climatizado e com telão de 50 metros de comprimento.

Hoje, o grande evento do Cotton Bowl é o Red River Rivalry, jogo de futebol americano entre a Universidade do Texas e a Universidade de Oklahoma. Todas as atenções esportivas e os dólares dos fãs acabam direcionados para o At&t Stadium, a casa do Dallas Cowboys. Mesmo que esteja a cerca de 30 minutos do centro de Dallas e exija um deslocamento até Arlington.
O Cotton Bowl, localizado numa região central, acabou esquecido e, hoje, vive de sua história, com as grandes jornadas dos Dallas Cowboys, entre 1960 e 1971, o Superbowl de 1967 e os jogos da Copa de 1994. Além do Brasil, a Argentina tem capítulo de sua história ali. Foi onde perdeu para a Bulgária, menos de 24 horas depois de receber a confirmação oficial do doping de Maradona. Como se vê, muito se viu nesse palco que, hoje, está fora do roteiro das grandes jornadas.
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