
Foi tudo o que nos faltou no domingo fatídico de East Rutherford: indignação com a desvantagem, jogadores decisivos e um protagonista que resolvesse. A Argentina mostrou outra vez ser uma seleção com "huevos", como eles dizem. Estavam liquidados, 0 a 2 até o minuto 79. Veio o gol de Romero (o mesmo que havia feito contra Cabo Verde) e ficou claro o que aconteceria com o Egito.
Foi uma avalanche azul e branca, uma onda que veio de fora do campo, com uma torcida que não parece nunca estar em um shopping center numa tarde de domingo, e ganhou cauda dentro dele, com um protagonista decisivo, focado no jogo e em como resolvê-lo, em vez de se concentrar em seu show particular de cada dia e cada post.
A Argentina avançou e sofreu mais uma vez. Está longe apresentar um futebol vistoso ou que faça Olise e Mbappé e Dembelé e Doué coçarem a testa. Mas ela sobra em energia, em suor, em luta. Nunca desistiu, mesmo tendo de escalar Quéops, Qúefren e Miquerinos, uma em cima da outra, no calor da borda do deserto do Saara.
Por vezes, o futebol só não basta, é preciso ter mais. A Argentina teve esse mais. Ok, foi contra Cabo Verde, a história mais linda da Copa, e o Egito. Mas virar em 12 minutos um jogo de mata da Copa do Mundo, estando em 0 a 2, pode ser até contra Nova Caledônia: é uma amostra de força que vai de San Juan até Terra do Fogo.
Gênio, time e torcida como um
As lágrimas de Messi ao final, um cara com 10 títulos de melhor do mundo (oito Bolas de Ouro e dois The Best) mostra que seu mundo não está no seu umbigo e seu foco nem de longe em seus bens e sua vida de bilionário. Messi mostrou ser de carne e osso como nós e com o mesmo sentimento que o deles, argentinos, de amor a uma camisa que veste todos.
A Argentina avançou na Copa e, podem ter certeza, movido por essa paixão. Vi de perto esse sentimento e essa conexão em Kansas City e Dallas por quase duas semanas. É algo difícil de segurar quando se une a um gênio da bola com jeito de cidadão comum. Talvez esteja aí o segredo de uma seleção que, realmente, joga menos do que França e Inglaterra, por exemplo, mas consegue completar-se com um amor sincero que vem desde o seu craque e vai até o torcedor mais comum de todos.
Quer notícias, bastidores, vídeos e análises da Copa do Mundo?🏆Inscreva-se na newsletter exclusiva de GZH e receba tudo direto no seu e-mail 📩 Clique aqui para se cadastrar



