
Kansas City é uma cidade pacata. As duas Kansas City, aliás, porque há duas cidades com mesmo nome. Uma colada na outra: a do Estado do Missouri, onde estão a seleção argentina e o estádio Arrowhead, do Kansas City Chiefs, e a do Estado do Kansas. Apenas o Rio Missouri separa elas.
Mas desde o começo desta semana os argentinos a transformaram numa coisa só: BuenUSAires, assim batizada por mim, por conta e risco.
Os hermanos, mais de 20 mil, tomaram o Meio-Oeste americano. O estádio do Chiefs, onde joga Patrick Mahomes, virou a casa de verão de Messi, enquanto a NFL ajeita os capacetes para voltar à ativa em julho, na pré-temporada. Mas não é só isso.
Os torcedores argentinos pegaram também Kansas para eles. Ocupam as ruas, geralmente em grupos, ocupam bares e restaurantes, desfilam em carros potentes alugados. Ou seja, parecem estar em casa. E estão.
No fim da tarde de segunda-feira (15), ocuparam o Mill Creek Park, principal praça, com a mais imponente das 200 fontes que fazem de Kansas a "Fountains's City".

O "banderazo", como eles batizaram, já é tradição. Todos os argentinos sabem, pelas redes sociais, a agenda desta Copa. Estava marcado para as 18h, mas eles começaram a chegar duas horas antes.
Mais de 4 mil torcedores passaram por ali. Era meia-noite e ainda havia argentino na praça. O rescaldo disso foram um caminhão grande e mais dois pequenos com o lixo recolhido. E a ressaca. Os primeiros hermanos só deram a cara para o sol do Meio-Oeste depois das 10h30min.
Os nossos vizinhos estão ainda em lua de mel com o tri de 2022. Passaram os últimos três anos e meio cantando "muchachos agora volvemos a nos ilusionar" e caminhando nas nuvens.

A seleção fez um ciclo de resultados comuns. Manteve 15 dos 26 campeões mundiais e aposta ainda na genialidade de Messi para desequilibrar.
Tanto manteve o time que só Medina, na lateral esquerda, estava fora do grupo do Catar.
Messi, um capítulo à parte
Ainda estamos no presente, o que nos torna difícil dimensionar o que representará Messi para os argentinos. Mas já dá para perceber que ele será o Deus que Maradona foi por três décadas.
Os hermanos com quem conversei colocam o jogador do Inter Miami acima dele. Alegam que, pelo perfil, foi mais completo. Em resumo, deu menos trabalho e necessidade de eles darem explicações.

Os hermanos até evitam em falar do adeus. Desconversam, sorriem amarelo e dizem que nem querem pensar no vazio depois desta Copa.
Por isso, eles curtem cada momento, fazem festas ruidosas como essa do Kansas e se preparam para novas invasões aos EUA.
Há estimativa de que, além dos 20 mil esperados no Meio-Oeste, aqui e em Dallas, outros 60 mil se esbaldam nas praias de Miami, à espera do jogo da segunda fase. Muchachos, eles estão mesmo ilusionados.
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