
Achei que cobrir a estreia da Argentina na Copa, no estádio do Chiefs, já seria um banquete. Só que Messi serviu a história. Vê-lo ao vivo iluminar a casa de Mahomes com três gols e criar catarse coletiva em mais de 70 mil pessoas foi um presente do destino.
Noites como essa de Messi não deveriam nos surpreender. Ele teve tantas. O que nos surpreende é que, aos 39 anos, ele as segue entregando como se tivesse 20. Mudou o tempo, mas manteve a forma. Estreias em Copas do Mundo são sempre nervosas, sem GPS a guiar para fazer o simples. Não no caso de Messi. Ele faz tudo parecer simples.
Vê-lo jogar da tribuna de imprensa, no nono andar do Arrowhead Stadium, permite entender muito desse viço mesmo 20 anos depois da estreia. Messi entende o jogo como só os craques fazem.
Fixei-me nele em boa parte dos seus 80 minutos em campo. Ele se posiciona sempre numa zona vazia. Enquanto espera a bola, radiografa seu entorno quatro, cinco vezes. Quando ela chega, já sabe o que fazer. E faz, quase sempre, com um ou dois toques na bola.
Messi parece jogar usando a IA para cada movimento. Só que é a IA própria. Uma espécie de IM? De alguém que esquadrinha o jogo numa velocidade absurda. Ele já não corre como há 10 anos. Nem precisa. Porém, seu jogo é sempre rápido.
O craque argentino mostrou em Kansas City que veio à Copa para fechar com letras maiúsculas esse capítulo da sua história.
Sem alarde, cabelo platinado, sem brinco de diamante do preço de apartamento, sem ser manchete das revistas de fofoca, ostentar frota de carros, jatinho ou helicópteros. Só com a bola. Viveu para ela e, aos 39 anos, encontra seu pote de ouro numa noite mágica no Kansas.
Eu estava lá e vi para contar aos meus netos.





