
Coyoacán veio antes do próprio México. O bairro é de 7 DC. Ou seja, do começo do milênio passado. Mais tarde, no século 20, ficou famoso pela sua filha mais famosa, Frida Kahlo. Tudo ali parece ter seu dedo.
É incrível como o bairro parece ser a extensão das suas obras. Quem quiser conhecer o México, com suas cores, temperos e arte, precisa passar algumas horas ali.
Nestes dias chuvosos que antecedem o verão, Coyoacán ganhou também roupa de Copa. O bairro estampa bandeiras, painéis e ganhou na sua praça central estruturas variadas. Os dois coiotes dourados que ornam e se banham no chafariz deixarão de ser a atração especial do lugar. Uma tenda gigante foi erguida e exibirá os jogos em um telão.

A Seleção de La Catrinas
No outro lado, outra tenda terá um palco. Por exemplo, nesta quarta-feira (10), a Orquestra Sinfônica de Coyoacán se apresentará e trará músicas relacionadas ao Mundial.
Porém, o que mais chama a atenção de quem passa pela praça é o time de La Catrinas posicionado no coreto instalado no coração da praça. Não há quem passe por ali sem parar para uma foto.
Os Las catrinas são bonecos que simbolizam a morte. Os mexicanos tratam a morte com um certo deboche e fazem do Dia dos Mortos um feriado de celebração. La Catrina ganhou de vez lugar no cotidiano dos mexicanos ao adquirir retoques finais na obra de Diego Rivera, outro grande nome da arte mexicana.

Pois bem, a administração de Coyoacán resolveu colocar em campo seu time de astros exibidos no último Dia dos Mortos.
Montou um campo no coreto da praça central do distrito e distribuiu ali Las Catrinas de Pelé, Garrincha, Maradona, Puskás, Di Stéfano, Carvajal, o lendário goleiro mexicano, Cruyff, Paolo Rossi e outros ídolos.
O campo tinha até torcida e jornalistas, como repórter sentado na arquibancada e o fotógrafo postado na linha lateral com sua máquina. Confesso que não curti muito os dois jornalistas ali. Não lido com tanta leveza assim com a morte, como fazem os mexicanos.
O comércio local

Claro que o deboche dos Las Catrinas era a única parte, vamos dizer assim, sem vida ali. Trata-se de uma região vibrante, com muitos turistas dividindo as calçadas com os locais. Um cenário curioso de holandeses de quase 2m desviando de crianças recém saídas da escola com o uniforme azul marinho, de saia plissada para as gurias e calça para os guris, combinando com o pullover para aquecer o peito nesses dias com cara de inverno.
O mercado público é um capítulo à parte. Loja de artesanatos são vizinhas de bancas de frutas, carnes e pescados. Além das bancas em que se pode comer no balcão uma tostada (tortilla coberta pelas mais variadas combinações) ou mesmo um taco.

Quem quiser se aventurar, como eu fiz, pode experimentar uns chapulines — gafanhoto frito bem temperado e com retoque de limão.
Tudo isso é Coyoacán, agora emoldurado pela Copa do Mundo. Frida Kahlo, tenho certeza, torceria o nariz para algumas ações da Fifa. Mas certamente pintaria um quadro lindo do Mundial em seu quintal.
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