
O Grêmio conseguiu o que parecia loucura quando foram sorteados os grupos da Sul-Americana. Ficou em segundo em um grupo no qual estavam Riestra, Palestino e o City Torque, com quem empatou em 2 a 2 nesta terça-feira (26), na Arena. Aliás, o Grêmio fez dois jogos contra o sexto colocado do Apertura uruguaio e não venceu nenhum.
Além do constrangimento de ficar atrás em um grupo de clubes de prateleira baixa da América, o Grêmio vê seu calendário se apertar.
Precisará fazer dois jogos extras pela repescagem contra um rival que virá da Libertadores. Um deles logo depois do final da Copa do Mundo e o outro já colado nas oitavas da Copa do Brasil, contra o Mirassol. Em resumo, o Grêmio paga caro pela sua incapacidade em espanhol.
Muito desse empate entra na conta de um problema recorrente do Grêmio, de um time com latifúndios no meio-campo e pouca luz na criação. Luís Castro apostou em Tiaguinho, muito reivindicado, e Braithwaite como um elo de ligação do meio ao ataque. Não funcionou. Tiaguinho foi burocrático e pouco conectou a defesa com o ataque como se esperava. O que também tornou sem efeito Braithwaite.
O Grêmio não teve qualquer conexão. O Torque, com linha de cinco quando se defendia e um 3-4-3 na construção ofensiva, aproveitou os espaços. Antes de fazer o 1 a 0 teve duas chances dentro da área e um gol anulado por batida da bola na mão do atacante no arremate. O Grêmio chegou de forma bissexta.
Quando Castro escolheu as peças certas, colocando Arthur e Mec nas vagas de Tiaguinho e Amuzu, o Grêmio se iluminou. Fez gols, um deles anulado, pressionou, criou, obrigou o goleiro uruguaio a ser personagem.
Mas o técnico do Torque percebeu que precisava marcar Arthur e, ao vigiá-lo, tirou boa parte da produção do Grêmio. Tanto que o Torque ainda chegou ao segundo gol. Levou o empate, de pênalti, mas segurou o resultado histórico para ele e constrangedor para o Grêmio.
Embora o fracasso na Arena e o segundo lugar em um grupo de rivais menores, há um trabalho que apenas começa e um horizonte a ser observado no projeto desenhado pelo clube. Cabe à direção sustentá-lo nos momentos de convulsão como esse.
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