
O santo Mão Santa nos deixou. O Brasil perdeu um dos seus reis do esporte. Oscar Schmidt é vizinho de galeria de heróis de Pelé, Ayrton Senna, Guga Kuerten, Hortência. É dessa turma de genialidade tão rara que o nome deles se confunde com a modalidade.
Oscar era o basquete. Mais, era a camisa amarela e verde da seleção, aquela com as listras finas e o trefoil da Adidas. Aquela usada na histórica vitória sobre os EUA na disputa do ouro do Pan de 1987. Não tem como ver aquela camisa e não lembrar de Oscar chorando atirado na quadra, depois de comandar a virada do Brasil. Foi a primeira derrota dos norte-americanos em casa.
Me lembro como se fosse hoje daquele fim de tarde de domingo, 23 de agosto de 1987. Eu era um guri de 15 anos e, como tal, tinha curtido a tarde de inverno com os amigos, certo de que já estava pronto para a vida, como acreditam estar todos os adolescentes. Entrei em casa e meu irmão mais velho, Alfredo, saltou: "Vem ver esse jogo, o Brasil virou sobre os Estados Unidos."
A empolgação do meu irmão anunciava mesmo algo extraordinário. Esporte para ele, até hoje, são Inter e futebol. Nessa ordem. Assisti aos últimos minutos. Comemoramos como se fosse mesmo futebol. Só mesmo um desses gênios que surgem a cada era seria capaz de proporcional algo assim.
Oscar era tão fenomenal que entrou para a galeria de astros da NBA sem nunca ter jogado na NBA. Teve convites, no plural. Recusou todos. A NBA não desistiu. O Brooklyn Nets o homenageou em 2017 e entregou-lhe a camisa personalizada do time.
Em 1984, ele havia recusado o draft do New Jersey Nets (nome da franquia na época) porque isso o impediria de jogar pela seleção. A NBA nunca fez falta para ele. Tanto que, ao final do jogo contra os EUA, na sua última Olimpíada, os astros da NBA daquele dream team foram tietá-lo.
Esse era Oscar, o nosso Michael Jordan, o nosso Magic Johnson, o nosso Bird, o nosso LeBron, o nosso Curry. Ou todos juntos em uma só figura em verde e amarelo. Descansa em paz, Mão Santa. E valeu por aquele domingo de agosto de 1987 em que fizeste a sala lá de casa virar uma festa.

