
Nunca é um fator só. A crise italiana tem uma série de equívocos que, somados, levaram o país a ficar de fora da terceira copa seguida. Serão 16 anos em 2030 e duas gerações de novos consumidores de futebol que se corre o risco de chegar à vida adulta com alto risco de perda de conexão com o futebol de um país que parou no tempo da bola.
Essa é uma das razões. Há a falta de desenvolvimento de um modelo de jogo mais atrativo, que agregasse ao catenaccio elaboração ofensiva e tornasse o espetáculo menos rústico. O catenaccio virou uma marca italiana tão forte que o futebol do país não se desgrudou dela. Há exeções, claro. A Atalanta de Gianpiero Gasperini, por exemplo.
Outro fator foi o econômico. A partir da entrada do Fair Play financeiro da Uefa, Milan, Inter e, mais tardiamente, a Juventus, perderam competitividade no mercado e deixaram de trazer para o pais jogadores capazes de estabelecer um respiro mais técnico ao futebol local. Acresente-se a isso o fim do incentivo fiscal, em 2023, aos clubes no pagamento de salários de jogadores.
O Decreto Crescita expirou, e muitos nomes de relevo que ainda havia debandaram para outros mercados. O Campeonato Italiano também estagnou como negócio, a infraestrutura dos estádios mantém traços do final dos 1990, com algumas exceções, como a Juventus. O público nos estádios caiu, e o produto que era o principal campeonato nacional no começo da globalização do futebol, nos anos 1980/1990 acabou como a quarta liga das Top 5 da Europa.
Soma tudo isso a uma geração com alguns bons valores e apenas um goleiro como extraclasse e teremos um caldo azedo que pesa na hora de ser servido nas decisões. Como vimos contra Macedônia do Norte, em 2022, e Bósnia agora.



