
Se alguém quiser uma radiografia do futebol gaúcho neste momento, desfrute do Gre-Nal deste sábado (11). O empate sem gols no Beira-Rio retratou bem o que se transformaram Inter e Grêmio e a posição que ocupam no cenário nacional.
Não havia mesmo como sair gols diante das dificuldades técnicas dos dois times. O Inter foi melhor, procurou sempre o ataque, forçou os erros da defesa gremista, ganhou mais duelos. Só que, quando teve a bola, teve pouca inspiração.
O Grêmio se defendeu apenas, e mal, e errou até passe lateral. Só saiu com um ponto porque, do outro lado, havia um Inter que transpira muito e depende de três jogadores estarem iluminados: Alan Patrick, Carbonero e Bernabei. Os dois primeiros estavam em noite de blecaute e o outro até tentou, mas aciona uma usina para acender uma lâmpada.
O clássico manteve os dois com a mesma pontuação, vizinhos na segunda página da tabela. E esse é o lugar de quem joga o futebol de pouca inspiração que praticam Grêmio e Inter. E demos graças a Deus porque, quem luta neste andar da tabela, vive pendurado e correndo risco de escorregar e descer degraus de uma hora para outra.
Esse clássico precisa ser o detonador de um debate que há tempo se adia. Um debate que aprofunde o estado atual do futebol gaúcho, que questione a razão de dívidas de R$ 1 bilhão nos balanços de Grêmio e Inter, que cobre tantos erros dos dirigentes e a falta de ideias que nos tirem desse círculo vicioso.
Vale para a Dupla e precisa se estender para o Interior, que em sua escala vive a mesma crise técnica, financeira e patina na estagnação. Vivemos muito de passado e nos esquivamos de debater o futuro. Mesmo em um presente que nos entrega um Gre-Nal como foi esse 452.
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