
O "C" do Grupo da Seleção na Copa do Mundo pode significar cuidado. Se ficou longe de cair em um "grupo da morte", o Brasil também não estará a passeio na primeira fase. Precisará suar um pouco para arrancar sem sustos. Carlo Ancelotti entendeu bem o que o espera, ao classificar a chave como "difícil".
O Marrocos, adversário da estreia no dia 13 de junho, um sábado, é a sensação no universo das seleções. Divide com a Noruega o posto de emergente. Com a diferença de que chega a 2026 respaldado pelo quarto lugar no Catar e por um ciclo cheio de conquistas, principalmente, em sua base.
A Escócia, velha conhecida nossa em Copas, volta depois de 28 anos (lembram-se da estreia em 1998, com gol de César Sampaio?"). Trata-se de uma seleção com jogadores da Premier League e com nomes conhecidos. Mas, acima de tudo, de uma seleção que pratica um jogo mais duro. Por fim, teremos o Haiti, que pode ser o fiel da balança em caso de equilíbrio entre as outras três.
Comecemos pela estreia
O Marrocos vive a plenitude do seu projeto de futebol. A surpresa de 2022, quando deixou pelo caminho Portugal e Espanha, se confirmou com a campanha nas Eliminatórias. Venceu os oito jogos (conta Níger, Tanzânia, Zâmbia e Congo), fazendo 22 gols e sofrendo apenas dois. O que evidencia seu domínio. A base de 2022 foi mantida, com nomes como o goleiro Bounou. o lateral Hakimi, o zagueiro Aguerd, os meio-campistas Amrabat e Ounahi e o centroavante En-Nesiry.
Nomes jovens foram agregados, como Brahim Diaz, do Real Madrid, que optou pelo Marrocos, depois de esperar pelo chamado da Espanha, onde nasceu. A conquista do Mundial Sub-20, passando por Brasil, Espanha e França, só reforçou a afirmação do futebol marroquino.
O projeto de formação de talentos criado pelo Rei Mohamed VI, cuja academia leva seu nome, dá resultados. No sub-17, o Marrocos só caiu para o Brasil, nas quartas, nos pênaltis. O sub-23 ganhou a Copa Africana da categoria e buscou o bronze em Paris 2024.
Nomes como o goleiro El Kajoui, o lateral Hakimi, o atacante Ezzalzouli e o ídolo Hakimo estiveram na Olimpíada. Não se surpreendam se Walid Regragui levar o ponta Othmane Maamma, bola de ouro no MundialSub-20, e o atacante Zabiri, goleador da competição.
O segundo rival
Estar na Copa já é uma grande vitória para o Haiti. Trata-se do país com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Américas. No geral, é o 163º entre 193, resultado de instabilidade econômica, décadas de corrupção e violência e tragédias naturais. Os jogadores convocados pelo técnico francês Sebastien Migné atuam todos, por óbvio, no Exterior. O futebol local enfrenta as mesmas dificuldades do país. Mais da metade dos convocados em novembro nem nasceram no Haiti. Migné, um ex-jogador francês, é desses andarilhos do futebol. Já passou por seleções africanas, como assistente, e estava em Camarões quando assumiu o Haiti, em março de 2024. Ele comemorou o sorteio. Enfrentar o Brasil será a vitrine que sua carreira buscava.
O terceiro
A Escócia sempre teve nomes de tradição. Como se esquecer do volante Graeme Souness, grande nome do Tottenham, e do atacante Dalglish, grande ídolo do Liverpool, por quem brilhou como jogador e técnico.
Os dois eram alguns dos nomes da seleção que enfrentou o Brasil de Zico, Falcão e companhia em 1982. A Escócia marcou presença consecutiva entre 1974 e 1990, falhou em 1994 e participou em 1998, quando perdeu para o Brasil na estreia. Depois disso, foram 28 anos de espera.
A geração que recoloca a seleção das Highlands de volta no Mundial tem nomes conhecidos de quem acompanha o futebol europeu, como o lateral Robertson, do Liverpool, o lateral Aaron Hickey, do Brentford, os meio-campistas Gilmour e Mc Tomminay, do Napoli, e o atacante Lyndon Dikes, do Birmingham.
Steve Clarke, o técnico, tem passagens como assistente em clubes como Chelsea e Liverpool e comandou equipes menores, como Reading e West Brom. Seu trabalho à frente da Escócia tem seis anos, o suficiente para resgatar o orgulho escocês e garantir alguns litros a mais de whisky vendidos nos pubs.






