
O futebol brasileiro deu um grande passo para sua reestruturação nesta terça-feira (11), com a entrega aos clubes do esboço das regras do fair play financeiro. O documento final ainda passará por pequenos ajustes. Porém, o conteúdo principal é este e começa a valer na virada do ano.
Haverá um prazo até 2029 para que todos se encaixem. As mangas precisam estar arregaçadas já a partir de janeiro. Só fica um ponto de preocupação: as punições previstas, desde advertência até desfiliação, passando por multas e transferban, serão mesmo aplicadas?
Haverá um rigor ou teremos aquele jeitinho que, infelizmente, faz parte da nossa cultura? Mais, a rigidez do fair play será a mesma para todos os clubes, independentemente do tamanho e da influência nos bastidores?
Demanda dos clubes
Tomara que sim, que a lâmina do fair play corte na carne de todos sem discriminação. Mesmo sendo um pouco cético por se tratar de Brasil e de suas nuances, há um ponto aqui que me enche de esperança: o fair play era uma demanda dos clubes, e a CBF colocou-os à mesa com os técnicos para trabalhar na confecção do documento.
Ou seja, foram elaboradas regras de interesse geral. Será vergonhoso que os clubes derrubem algo que eles próprios pediram e pelo qual trabalharam.
Em linhas gerais, o fair play brasileiro inspirou-se nas regras adotadas nas top 5 ligas e na Uefa. Por exemplo, a que limitará em 70% da receita o gasto com remuneração e amortização dos direitos de atletas foi trazida da Uefa.
Orçamentos fiscalizados
Isso precisa ser cumprido até 2029. As dívidas de curto prazo (a serem pagas dentro do exercício do ano) não poderão ultrapassar 45% das receitas. Essa será gradativa e estará a pleno em 2029. Mas, a partir de abril, os clubes começarão a ter balanços e orçamentos fiscalizados.
Aliás, serão três janelas no ano (outra norma trazida da Uefa). Outras regras: a partir de 2028, os clubes terão de apresentar superávit. Porém, haverá período de transição de dois anos, iniciando-se em abril.
Também a partir de abril, serão fiscalizados de forma rigorosa o balanço de contratações e as folhas salariais, para evitar que um clube endividado siga gastando como se não houvesse amanhã. O que passará a se ter a partir de 2026.



