
É um guri da periferia de Lajeado o responsável pela cobrança do pênalti decisivo que classificou o Brasil às oitavas no Mundial sub-17. Luis Felipe é hoje uma das promessas do Palmeiras, já atua no sub-20, pelo qual conquistou o bi-brasileiro (2024 e 2025). É mais um daqueles casos que partem daqui sem nem serem mapeados pela Dupla.
Luis entrou contra o Paraguai, em Doha, a cinco minutos do final. O Brasil havia perdido seu zagueiro, expulso, ainda no primeiro tempo e arrastou um 0 a 0 até os pênaltis. Seu ingresso foi justamente para ter sua segurança nas cobranças. O goleiro João Pedro, do Santos, foi o grande herói, com três pênatis defendidos. Mas foi o guri de Lajeado quem definiu a decisão com a cobrança decisiva.
Basta conhecer a história do volante para entender que cobrar um pênalti decisivo no Mundial foi o menor dos desafios que enfrentou. Sua trajetória foi trazida em reportagem do portal Agora no Vale, há um mês.
A jornada até São Paulo
Luis começou a jogar em um projeto do seu bairro, o Santo Antônio, região carente de Lajeado. O pai de um amigo pediu empréstimo de uma quadra para, uma vez por semana, treinar a gurizada da vizinhança.
O destaque levou o guri para a escolinha Pratas da Casa, da vizinha Arroio do Meio. A escolinha mantinha parceria com o Juventude. Ao final do amistoso entre os dois times, o guri foi convidado a jogar em Caxias do Sul. No começo, fazia de ônibus a viagem entre Lajeado e a Serra. Mas o custo ficou alto e pesou no orçamento.
Foi quando o Juventude o levou com a família para morar em Caxias. Luis tinha nove anos e começava ali sua caminhada. Aos 13, em um torneio no interior catarinense, o Juventude enfrentou o Palmeiras. Repetiu-se o roteiro lá de Arroio do Meio.
O Palmeiras se encantou com ele e o levou para São Paulo. Ele chegou em 2020, pouco depois do fim do recesso da pandemia. Foi nessa mesma época em que teve o maior baque da vida, a perda da mãe, vitimada por uma embolia.
Todos os passos em campo são feitos para manter viva a memória dela e buscar uma situação melhor para a família. Para quem, aos 17 anos, já passou por tanto, bater o pênalti decisivo foi o de menos.






