
O Fair Play brasileiro entrará em vigor, a pleno, em 2029. Mas, a partir de abril do próximo ano, será dado o pontapé inicial para a fase de transição. Serão três anos em que os clubes precisarão se ajustar para estar dentro das regras. O que, para a Dupla, desenha um cenário ainda mais desafiador a partir de janeiro.
A situação financeira do Inter é a mais delicada. Aliás, extremamente delicada, com dívida de curto prazo gerando juros na casa de R$ 110 milhões. Porém, o Grêmio vem, a cada ano, aumentando sua dívida e gastando além da conta para se tornar competitivo. Houve adiantamento de receitas, e os atrasos salariais e em pagamentos, mostram que o sinal de alerta precisa ser acionado.
Entre os pontos do Fair Play que exigirão mais ajuste, estão a dívida de curto prazo e o gasto com futebol. No primeiro, a regra é de que a dívida de curto prazo, aquela que deve ser paga dentro do mesmo ano, não pode ultrapassar 45% da receita do ano anterior. No caso do Inter, em 2024, ela foi de 109% da receita.
Conforme o relatório Convocados, da Galápagos e da Outfield, o Inter fechou 2024 com R$ 516,7 de receita e tinha como dívida de curto prazo R$ 561 milhões. No caso do Grêmio, embora esse quadro seja menos dramático, ele exige atenção. O Grêmio fechou com R$ 489,8 milhões de receita e R$ 304 milhões de dívidas de curto prazo. O que corresponde a 65% da receita. Será preciso buscar, nesse período de transição, redução de 20%.
Limitação de gastos com futebol
Outro ponto é a limitação de gastos com folha salarial e amortização dos direitos econômicos de atletas (o pagamento de parcelas da compra de atletas). Os clubes não poderão comprometer mais do que 70% da receita com esses gastos.
A CBF, com o comitê criado para elaborar o documento, ainda definirá se gastos com jogadores da base e do futebol feminino entram nessa conta. O fato é que será preciso apertar o cinto nos próximos dois anos para chegar a 2029 atendendo a essa regra.
As duas próximas temporadas serão de austeridade, podem apostar. O que era recomendável, principalmente, para o Inter, cuja crise financeira é mais profunda. Os clubes, porém, relutam em tomar o remédio amargo para ganhar, ali na frente, saúde financeira. Não fizeram de forma espontânea e terão, agora, fazer por obrigação.
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