
O quinto lugar na tabela das Eliminatórias diz muito sobre nós, o futebol brasileiro, e o que fizemos nestes últimos três anos. Três, não, nestes últimos 10, 15 anos. Estamos na Copa, temos um técnico de primeira linha, dos melhores do mundo. Mas tudo isso não pode apagar o quanto o futebol brasileiro precisa evoluir e olhar para dentro de si.
O quinto lugar, empatado com a Colômbia, terceiro, e também com o Paraguai, o sexto e dono da última vaga direta. Isso não pode passar despercebido. Se a Conmebol tivesse cinco vagas (sendo a quinta a da repescagem), como era até 2022, imagine o sufoco que teríamos passado nos últimos meses. Teríamos ido jogar a vida nos 4 mil metros e no ar rarefeito de El Alto. Que sirva de lição.
Tudo isso não é acaso. Tivemos quatro técnicos e quatro presidentes da CBF neste ciclo. Incluo nessa conta o interino Ramón Menezes na casamata e os interventores José Perdiz e Fernando Sarney na sala de comando da CBF. Ednaldo Rodrigues foi tirado do cargo por decisão da Justiça, retornou com liminar e voltou a cair por decisão judicial. Samir Xaudi assumiu o cargo com o desafio de ser o segundo presidente da CBF a encerrar um mandato desde 1989.
O outro foi Ricardo Teixeira, banido do futebol pela Fifa por um caso de suborno. Ednaldo foi o quinto presidente afastado do cargo dos últimos sete mandatos. A conta de tanta bagunça e de tantas disputas por poder uma hora vem. Ela mandou um aviso. Fomos o quinto numa Eliminatória em que a Argentina, por exemplo, passeou. Vencemos apenas oito dos 18 jogos. Claro, se tivéssemos vencido a Bolívia teríamos sido segundo.
Mas reduzir o cenário apenas a isso é mascarar algo muito profundo. O futebol brasileiro precisa de uma revisão urgente, de um debate intenso sobre formação de atletas, aperfeiçoamento de técnicos (um estrangeiro nos comanda), ampla discussão sobre calendário e um olhar atento sobre que modelo de negócio pretendemos para salvar quem está na base da pirâmide e evitar o esgarçamento de quem ocupa o topo - salvo algumas exceções, essa elite está sendo soterrada por dívidas.
O quinto lugar mandou o aviso. Nós, como bons brasileiros, demos nosso jeitinho, trouxemos um técnico top de linha e, aposto, chegaremos acelerando à Copa. Resolvemos o problema até 2026. Mas precisamos resolvê-lo a longo prazo. Essa campanha nas Eliminatórias não foi por acaso. Lembrem-se bem disso. Sempre.

