
O futebol chileno tenta recomeçar. Depois dos anos da "geração dourada", a seleção inicia seu processo de renovação. Na verdade, não inicia, foi obrigada a iniciar. Para se ter uma ideia do quanto a La Roja surfou na onda de nomes como Bravo, Aránguiz, Vidal e Sánchez, o técnico interino Nicolás Córdova, 46 anos, foi companheiro de boa parte deles na própria seleção.
O treinador comanda a sub-20, anfitriã do Mundial, a partir do final do mês. Como Ricardo Gareca foi demitido depois da última data Fifa, com o Chile na lanterna das Eliminatórias, a ANFP, a CBF chilena, chamou-o para comandar também a principal até o final deste ano. No fundo, a esperança é de que ele seja a versão chilena de Lionel Scaloni, que comandava a sub-20 argentina e foi de interino a campeão mundial.
Córdova aproveitou esse momento de exposição para convocar o futebol chileno todo a embarcar no projeto de reconstrução. Os clubes, todos SAFs, a federação e os jogadores. O ponto é que há uma crise geral instalada. A seleção assumiu o posto de pior da Conmebol que sempre foi de Bolívia e Venezuela. Os principais clubes do país, Universidad de Chile, Colo-Colo, e Católica patinam até no campeonato local.
O líder neste ano é o Coquimbo, de cidade homônima 500 quilômetros ao norte de Santiago. Está dando de lavada. Lidera 14 pontos à frente do Palestino e a 15 da La U. Na última rodada, chegou à marca história de 10 vitórias seguidas. A campanha tão acachapante provocou um bate-boca público do Coquimbo com o interino Córdova. Nenhum jogador do time foi chamado.
Lista renovada
A lista, pela primeira vez, não teve um dos nomes da geração bi da América (2015/2016), únicos títulos da história da seleção. Por outro lado, Córdova chamou três garotos da sub-20. Dos 28 jogadores, há três com 31 anos e dois com 30. São 16 com menos de 25 anos. Nove dos convocados nunca jogaram pela seleção. A média de idade da lista é de 24,6 anos. O plano do técnico interino é começar, agora contra o Brasil, a montar a base para a Copa América 2028 e iniciar a caminhada rumo à Copa do Mundo de 2030.
O time para enfrentar o Brasil (e o Maracanã) terá três zagueiros e três meio-campistas de marcação. Na frente, o gremista Aravena treinou como titular em boa parte do tempo, formando dupla com Cepeda. Porém, ele disputa lugar com Ben Brereton, centroavante inglês de mãe chilena, cuja descendência chilena foi descoberta em 2020 por um torcedor ao jogar Football Manager.
O torcedor procurou Brereton, na época no Blackburn, da segunda divisão inglesa, nas redes sociais, e indagou-o se gostaria de jogar pelo Chile. Diante da resposta positiva, o aproximou da federação. O que mostra, realmente, a urgência de se implementar não só uma renovação, mas uma revolução no futebol chileno.

