O frio extremo que atingiu os Estados Unidos nos últimos dias colocou o país em estado de alerta. Uma forte tempestade de inverno provocou ao menos 30 mortes, deixou mais de 500 mil pessoas sem energia elétrica e cobriu cidades inteiras de neve. Em algumas regiões, o acúmulo chegou a 50 centímetros, com sensação térmica próxima de -31 °C.
Esse cenário foi o ponto de partida do Conversas Cruzadas desta terça-feira (27). O programa mostrou os impactos do fenômeno e trouxe, ao vivo, o relato do gaúcho Pedro Valente, pós-doutorando em Climatologia na Universidade de Ohio, que vive na cidade de Athens, uma das áreas atingidas pela onda de frio.
— Tem um rio do lado da minha casa e essa é a primeira vez que vejo o rio completamente congelado. Algumas pessoas já conseguiram atravessar o rio de uma margem para a outra esquiando — relata Valente.
Da sacada de casa, Pedro mostrou a cidade coberta de neve, com temperatura em torno de menos 10 graus. Mesmo com roupas adequadas, o frio intenso segue sendo um desafio.
— Estou usando duas luvas e sinto meus dedos congelar ainda. O frio não passa e começa a queimar a pele — relata Valente.
A partir desse cenário, o Conversas Cruzadas discutiu as explicações para o fenômeno e a polêmica que costuma surgir em episódios como esse: grandes nevascas colocam em dúvida o aquecimento global ou são parte do mesmo processo de mudanças no clima?
Para tratar do tema com base científica, participaram do programa a climatologista Venisse Schossler, pesquisadora do Centro Polar e Climático e do Departamento de Geografia da UFRGS, e Francisco Aquino, climatologista e chefe do Departamento de Geografia da UFRGS. O debate buscou separar percepção de evidência, explicar os mecanismos atmosféricos envolvidos e contextualizar o episódio dentro de um quadro mais amplo de eventos extremos.
— É muito normal a gente ouvir das pessoas que não acreditam no aquecimento global que isso seria, vamos dizer assim, algo que refuta a mudança climática. E, na verdade, é o oposto. Essas situações acontecem justamente por causa de entradas de calor e umidade muito fortes mais ao norte ou mais ao sul, pensando no hemisfério — explica a professora Venisse Schossler.
O episódio está disponível na íntegra. Clique e assista ao Conversas Cruzadas.


