O Conversas Cruzadas desta segunda-feira (26) tratou de um tema que provocou reação imediata entre entidades da saúde. A resolução publicada na semana passada pelo Conselho Federal de Enfermagem, permitindo que enfermeiros prescrevam antibióticos, abriu um embate direto com a medicina.
A medida foi contestada pelo Conselho Federal de Medicina, que afirma que a prescrição de medicamentos deve ser atribuição exclusiva dos médicos. A partir daí, o debate avançou para questões centrais como competência profissional, limites legais, segurança do paciente e impacto no funcionamento do sistema de saúde.
Representando a enfermagem, participaram Antônio Tolla, presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS) e Daniel Magno Galdino, diretor do Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul (Sergs). Pelo lado da medicina, estiveram Eduardo Neubarth Trindade, vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Cremers) e Marcelo Matias, presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers).
O programa colocou frente a frente as posições institucionais e deixou claro que a controvérsia vai além da resolução em si. Envolve formação, responsabilidade técnica, organização das equipes de saúde e a forma como o cuidado é oferecido à população.
— Não que a medicina seja melhor ou pior do que nenhuma das outras profissões. Todas são fundamentais, só que qual é a profissão que foi treinada para fazer o diagnóstico e a indicação de tratamento de doenças? É a medicina. (...) Diagnóstico não se dá por receita de bolo — disse Trindade.
Antônio Tolla discorda e avalia que os enfermeiros podem, sim, ter autonomia para prescrever os antibióticos. No entanto, é preciso ter cautela:
— Eu acho que tem que ter autonomia para fazer, mas tem que ter preparo, tem que estar capacitado, tem que saber fazer. Se não sabe, não faz, mas eu acho que os protocolos auxiliam, ajudam bastante a questão da população e contribui para que os profissionais possam fazer. É uma atividade a mais, é uma atribuição a mais dentro do serviço, a gente sabe disso, mas é algo que também consegue, dentro da nossa linha, principalmente da linha do cuidado, de estar acolhendo a nossa população.
O debate completo está disponível. É só clicar no vídeo acima e assistir ao Conversas Cruzadas.






