O programa Conversas Cruzadas desta terça-feira (18) abordou a força da cultura negra no Rio Grande do Sul em plena Semana da Consciência Negra. A conversa mostrou como o Rio Grande do Sul teve papel decisivo na criação do 20 de novembro e como essa memória segue viva em diferentes espaços.
Participaram Fernanda Oliveira, historiadora da UFRGS e autora do enredo da Portela para o carnaval de 2026, Antônio Carlos Côrtes, advogado, escritor e fundador do grupo Palmares que implementou o Dia da Consciência Negra, em 1971, Thiago Ribeiro, sambista da banda Thiago Ribeiro e Amigos, e Kizzy Abreu, repórter de GZH. Juntos, eles ajudaram a redesenhar o mapa da presença negra no Estado, da pesquisa à arte, da memória à comunicação.
Durante o programa, falou-se muito sobre o enredo da Portela para o carnaval de 2026 do Rio de Janeiro. O tema que a escola de samba levará à Sapucaí é uma homenagem à religiosidade, à cultura e à resistência negra no Rio Grande do Sul. O título do enredo é "O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.
Um possível apoio financeiro do governo do RS gerou polêmica há alguns meses. No programa, Fernanda Oliveira, que ajudou a escrever o enredo, lamentou a ausência de recursos públicos e privados.
— Esse debate, eu acho que foi o suprassumo da forma como o racismo opera no Estado do Rio Grande do Sul. Primeiro, ele evidencia uma falta de letramento político mesmo, no sentido da gente entender de onde vêm os recursos, como que eles são alocados — afirmou Fernanda.
A historiadora diz que a discussão, na época, foi rasa. Ela conta que nem as empresas ofereceram ajuda.
— Tu não consegue aportar recurso de lei Rouanet, que as pessoas vão ter dedução de imposto. Não consegue fazer isso, sendo que a Portela tem toda a documentação para que isso possa ser efetivado e a gente não tem empresários interessados. Eu fico pensando nos nossos grandes empresários, que poderiam fazer mesmo divulgação das suas marcas, né? Nada, nada. Não teve. Nada, nenhuma, nenhuma ação, nenhuma iniciativa — desabafou a historiadora.
Confira este trecho do programa no vídeo acima.



