
Viamão já viveu momentos de protagonismo na história do Rio Grande do Sul. Entre 1763 e 1773, o pequeno povoado cercado de campos de criação de gado foi sede do governo da capitania. A mudança ocorreu depois da invasão dos espanhóis em Rio Grande, que obrigou os portugueses a abandonar a vila no Litoral Sul.
O município da Região Metropolitana de Porto Alegre está celebrando 285 anos. Em 14 de setembro de 1741, o bispo do Rio de Janeiro autorizou a construção da primeira capela. A data é considerada o marco de fundação de Viamão.
A capela foi erguida em uma área doada pelo tropeiro Francisco Carvalho da Cunha, na Estância Grande. A construção ficou pronta em 1747, quando a localidade foi reconhecida como freguesia, com registros de batismos, casamentos e outros documentos oficiais da Igreja Católica. Em torno da capela, surgiram casas. Era o início do povoado, região onde fica hoje o Centro.
A chegada de militares e famílias, após a fuga de Rio Grande, acelerou o crescimento de Viamão. Logo, a primeira capela ficou pequena. O projeto de uma nova igreja foi elaborado pelo governador José Custódio de Sá e Faria, engenheiro reconhecido por obras de igrejas e fortificações militares.
A construção também foi pensada como proteção para a nova sede do governo. A igreja foi feita com paredes de cerca de um metro e meio de espessura e seteiras, estreitas aberturas que poderiam ser utilizadas para a defesa contra ataques. A primeira missa, celebrada pelo vigário José Antônio Malta, ocorreu em 1770, apesar da obra ainda incompleta.

A resistência das paredes da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição nunca foi testada, porque os espanhóis não chegaram a Viamão. Em 1773, a sede do governo da capitania foi transferida para Porto Alegre. A mudança reduziu a importância política e prejudicou o desenvolvimento da freguesia.
A origem do nome Viamão causa divergências. Uma versão popular associa a palavra ao Guaíba e a seus afluentes. Vistos dos morros, o lago e os rios lembrariam o formato de uma mão. O nome seria a junção de "Vi", do verbo ver, "a" e "mão".
Outra versão relaciona a denominação a uma palavra de origem tupi-guarani, "ibiamon", usada para designar o caminho entre os montes da Serra Geral, os Campos de Viamão.
— Ninguém tem uma certeza, porque falta registro oficial. O nome Campos de Viamão é muito antigo e já aparecia em mapas do século 17 — explica o historiador Vítor Ortiz.
Viamão só conquistou sua emancipação em 1880, quando se desmembrou de Porto Alegre.





