A trajetória da Irmandade de São José está ligada às origens de Taquari. A cidade gaúcha se formou a partir da chegada de sete casais açorianos em 1764. Os pioneiros, católicos, logo se preocuparam com a construção de uma igreja.
Uma imagem de São José, esculpida em um único tronco de madeira, chegou de Portugal. As obras da Igreja Matriz São José duraram de 1768 a 1803.
Em 3 de setembro de 1806, uma ata registrou a criação da Irmandade do Santíssimo e Glorioso São José, com oito membros. Inspirada nas tradições religiosas trazidas pelos açorianos, a associação reúne fiéis leigos dedicados ao culto do padroeiro e à manutenção do templo.
O grupo acompanhou momentos importantes da história de Taquari. Em 1849, quando o município foi criado, a ausência de autoridades civis fez com que a própria entidade fosse encarregada de organizar a primeira eleição para vereadores. Nesses 220 anos, os irmãos também participaram de ações sociais e atividades pastorais, mantendo a prática da caridade e o apoio à comunidade.
Constituída como uma associação sem fins lucrativos, a Irmandade conta com 78 irmãos. Novos membros, somente homens, devem ser indicados por um padrinho e aprovados por unanimidade. Eles se reúnem mensalmente, no primeiro sábado, para a missa, entrando em cortejo com as tradicionais opas bordô. A entidade também participa da novena de São José, realizada em março, culminando na festa do padroeiro, no dia 19. As tradições da novena e da festa foram reconhecidas como patrimônio cultural imaterial de Taquari.
A Irmandade de São José está atuando na proteção da Igreja Matriz, que enfrenta problemas estruturais provocados pelo tempo. Em 2026, inscreveu projeto na Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul para viabilizar um plano arquitetônico de restauração do templo.





