Um projeto usa a tecnologia para a preservação da memória de Muçum, no Vale do Taquari. O município foi arrasado pelas grandes enchentes do Rio Taquari em 2023 e 2024. Os trágicos episódios, marcados por mortes e destruição, também causaram a perda de acervos fotográficos.
O projeto Memórias Restauradas - Muçum resgata fotografias antigas por meio do uso de Inteligência Artificial, permitindo a restauração, a recuperação de detalhes e a colorização de imagens históricas que ajudam a contar a trajetória da cidade. Idealizado pelo jornalista muçunense Ranieri Zilio Moriggi, o projeto surgiu após conversas e um trabalho em parceria com a professora de História Mircelle Giaretta.
As fotos restauradas digitalmente são publicadas no Facebook e no Instagram (@memoriasrestauradasmucum). Muitas imagens são encontradas em postagens antigas nas redes sociais, acervos particulares e arquivos compartilhados pela comunidade. O trabalho de restauração e colorização conta com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial, sempre acompanhado por análise humana para garantir a maior fidelidade possível à imagem original.
O projeto também possui um importante papel afetivo. Muitas fotografias retratam locais que já não existem mais, famílias que ajudaram a construir o município e momentos marcantes da vida comunitária. Em muitos casos, o conteúdo também contribui para recuperar parte da memória visual perdida durante as enchentes que atingiram Muçum.
O trabalho é voluntário, sem qualquer finalidade comercial ou remuneração. A comunidade pode contribuir com fotografias para ampliar o acervo, que reúne em torno de 70 imagens.
O plano é fazer uma exposição na cidade em maio de 2027.
A história de Muçum
Em porto à beira do Rio Taquari, prosperou o município de Muçum. O povoado cresceu com a chegada dos imigrantes italianos a partir do final do século 19. Pelas águas, saíam e chegavam embarcações com produtos coloniais e passageiros.
O território, cercado por verdes montanhas, já fez parte dos municípios de Rio Pardo, Triunfo, Taquari, Estrela, Lajeado e Guaporé. O nome está relacionado ao peixe muçum, presente no rio. Em 1862, durante exploração no Taquari, o capitão do Exército Imperial Antônio Augusto Arruda registrou, em mapa, o nome "Cachoeira de Mussum".
Os imigrantes italianos iam até Garibaldi e depois desciam para a região de Muçum e Encantado. No Vale do Taquari, compraram terras do governo e lotes de alemães, que chegaram antes, mas não se adaptaram às áreas. A comunidade São Faustino e Juvita é a mais antiga, formada por famílias de origem portuguesa, em 1873.
Em 1905, com o nome General Osório, o local passou a ser o 3º distrito de Guaporé. Moradores e até documentos oficiais continuaram citando os dois nomes: Mussum e General Osório. Em 1938, decreto estadual oficializou o nome antigo e mais popular.
O porto foi muito movimentado na primeira metade do século 20. Em trilhos, mercadorias eram transportadas dos armazéns na parte alta das margens do rio até as embarcações. Na década de 1930, quatro bancos operavam em Muçum.
A emancipação ocorreu em 1959. O novo município, instalado em 31 de maio, passou a ter o nome com a grafia alterada para Muçum. Na década de 1970, a região recebeu a Ferrovia do Trigo, com seus belos túneis e viadutos.





