O salão Trança Monstro publicava na imprensa o balanço mensal de atendimentos no século 19. Em novembro de 1889, pelo anúncio no jornal A Federação, o estabelecimento da Rua dos Andradas, em Porto Alegre, fez 1.766 barbas, 582 cortes de cabelo, 79 barbas frisadas e 53 lavagens de cabeça, além de contar com 135 clientes assinantes fixos.
O estabelecimento de Enéas Tavora e João de Macedo Pinto ficava em ponto movimentado da cidade, em frente à Praça da Alfândega. A propaganda revela como eram os serviços e os hábitos da população. A maioria dos clientes do salão era de homens que queriam deixar a barba bem aparada, no padrão da época.
Tavora foi proprietário anteriormente de outro salão na popular Rua da Praia, junto ao cais do porto. Em julho de 1884, ele transferiu o Salão Tavora para o pavimento superior de um prédio ao lado do Banco da Província.
Em propaganda, destacou que o "sobrado que presentemente ocupa, segundo o estilo europeu, oferece as precisas comodidades para o perfeito desempenho de suas funções". Um espaço foi destinado especialmente a "penteados de senhora". Ele oferecia "desenho e cabelo em relevo, cabeleiras (perucas) e tranças". Com cabelo, fazia pulseiras, brincos, cordões para relógios e outros itens.

Na época, já vendia perfumes no salão. Tavora também oferecia serviço especial no carnaval e em outras festas. O barbeiro vendia barbas postiças, suíças e narizes falsos, prometendo caracterizações personalizadas.
Mesmo com as transformações tecnológicas e na sociedade em mais de um século, o trabalho de barbeiros e cabeleireiros permanece fundamental. A máquina ajudou, mas não substituiu a habilidade com as tesouras e navalhas.

Na busca por propagandas no jornal A Federação, o anúncio de outro cabeleireiro despertou a minha atenção. Em 1885, Fernando Schneider Filho, proprietário de salão concorrente na Rua dos Andradas, pediu que fregueses em atraso saldassem as dívidas. Os devedores que não comparecessem no prazo de 30 dias teriam os nomes publicados no jornal.





