Quando avistam o Farol de Itapuã, os navegadores que vêm pela Lagoa dos Patos sabem que estão perto de Porto Alegre. O prédio branco foi inaugurado em 1º de março de 1860. A torre, de formato octogonal, ergue-se sobre uma ponta de pedras, com a vegetação ao fundo. O farol é uma lembrança do auge da navegação, quando passageiros e cargas chegavam e partiam pelas águas.
A bela construção, símbolo de Viamão, ofereceu segurança aos viajantes no encontro da Lagoa dos Patos com o Guaíba. Em relatório de abril de 1859, o presidente da província, Ângelo Muniz da Silva Ferraz, relatou que as obras haviam começado em maio do ano anterior. A estrutura da torre já estava pronta, mas a conclusão dos trabalhos dependia da chegada da lanterna de ferro que seria enviada do Rio de Janeiro. Fora do projeto original, foram construídas uma cozinha de alvenaria e duas rampas para facilitar o desembarque.
Em 1862, já em operação, o Império do Brasil mantinha dois faroleiros trabalhando no local. Em relatório do governo central, o ponto de sinalização náutica era classificado como farolete. Além do Farol da Barra, outros quatro faroletes operavam na Lagoa dos Patos.
O livro Viamão 300 Anos (Jornal Já Editora, 2023), de Elmar Bones, Vítor Ortiz e José Barrionuevo, detalha as transformações tecnológicas do equipamento que orienta a navegação. Em 1903, o antigo farol de Itapuã recebeu um sistema da fabricante francesa Barbier, Bernard & Turenne, com queimadores de vapor de petróleo comprimido.
Outra inovação foi implantada em 1915. Uma comissão da Superintendência de Navegação aprovou o uso de um sistema de iluminação automática a gás acetileno. O farol passou a dispensar a presença permanente de um faroleiro. Atualmente, utiliza baterias alimentadas por painéis solares. O facho luminoso alcança 12 milhas náuticas, mais de 22 quilômetros.
Cartão-postal de Viamão, o farol tem 16,25 metros de altura. Ele está localizado dentro do Parque Estadual de Itapuã, mas a administração é da Marinha do Brasil.

