Quando fechou as portas em 2005, o Imperial agonizava devido à migração dos espectadores dos cinemas de calçada para os shopping centers. Na última sessão, na noite de 4 de agosto, 187 pessoas assistiram ao filme Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg. Chegava ao fim a história de uma sala que já foi a mais luxuosa de Porto Alegre.
Inaugurado em 18 de abril de 1931, "o seu cinema" — forma como se referiam à sala — ficava na Rua dos Andradas, em frente à Praça da Alfândega, a Cinelândia porto-alegrense. As sessões noturnas e nos finais de semana deixavam movimentado o Centro Histórico. Famílias chegavam animadas para a diversão. Os jovens paqueravam na entrada dos estabelecimentos.
O Cine Theatro Imperial ocupou o térreo de um novo edifício, projetado por Agnello Nilo de Lucca e Egon Weindorfer. O gigante de doze pavimentos, em estilo art déco, foi construído pela Companhia Previdência do Sul. Os outros andares eram usados para moradia e por escritórios.
Na véspera da abertura, o jornal A Federação elogiou a beleza do cinema montado pela Empresa Cine Theatro Imperial Ltda., que contratou o arquiteto e escultor Fernando Corona para fazer a decoração. A publicação descreveu que a "sala de espera faria inveja à de palácios". O público poderia assistir aos filmes em finas poltronas.
O jornal destacou que outros 18 cinemas estavam em operação em Porto Alegre em abril de 1931: Central, Guarany, Carlos Gomes, Apollo, Colombo, Ypiranga, Orpheu, Thalia, Navegantes, Palácio, Avenida, Capitólio, Popular, Garibaldi, Rio Branco, Glória, Gioconda e Recreio. O Baltimore, na Avenida Osvaldo Aranha, estava em obras.
Com 1.632 poltronas, a sala ficou lotada nas duas sessões inaugurais, em um sábado. O Imperial exibiu o filme Romance, da Metro-Goldwyn-Mayer, estrelado por Greta Garbo. O estabelecimento unia luxo, conforto e os melhores equipamentos da época.
Como outras salas da cidade, o Imperial também tinha um palco para apresentações teatrais e musicais. Em 1935, por exemplo, a Rádio Farroupilha escolheu o cinema para suas primeiras transmissões de radioteatro.
O Imperial fez parte do auge dos cinemas na cidade, nos anos 1940 e 1950. Posteriormente, viveu a decadência das salas de calçada. Em 1987, o Cine Guarani — que estava fechado desde 1975 — foi reaberto no mezanino do Imperial.
A relevância cultural e arquitetônica do complexo motivou o tombamento histórico do prédio do Cine Imperial pela prefeitura de Porto Alegre. Em 2005, quando deixavam a última sessão, os espectadores imaginavam que poderiam voltar em breve ao icônico espaço da cidade. Por uma série de entraves, o restauro, que começou em 2007, ainda não foi concluído.

Os primeiros três andares serão transformados em centro cultural da Caixa Econômica Federal. O local terá um cineteatro com 650 lugares, além de salas para exposições e um miniauditório. Outros andares serão ocupados pela prefeitura.


