A Praça da Bandeira foi a mais importante de Canoas no século 20. No coração da cidade, era ponto de atividades cívicas, sociais, políticas, culturais e religiosas. Igreja, prefeitura e comércio se estabeleceram no entorno do logradouro.
O local foi ponto de manifestações do grupo político que buscava melhorias na infraestrutura e que liderou o processo de emancipação. Em 1939, Canoas tornou-se município, deixando de pertencer a Gravataí.
A primeira sede da prefeitura ficava nos altos da Casa Vargas, na esquina da Rua Coronel Vicente com a Avenida Guilherme Schell, junto à praça. Ao lado, estava o Cinema Central, onde tomou posse o primeiro prefeito de Canoas, Edgar Braga da Fontoura.
O nome oficial é Praça Francisco Pinto Bandeira, uma homenagem ao povoador da região no século 18. Conta-se que a origem da denominação popular, Praça da Bandeira, está relacionada a Thiago Würth, criador do Instituto Pestalozzi, que costumava instalar um mastro naquele campo. Era o lugar onde a escola realizava as comemorações do Dia da Pátria e de outras datas cívicas.
No passado, o local era um campo de futebol. A urbanização da praça ocorreu com a construção da Igreja Matriz São Luís Gonzaga, que começou a ser erguida em 1925. A primeira missa foi realizada em 1931, mas a obra do templo católico só foi concluída nove anos depois. O Café Imperial, instalado no térreo do icônico Edifício Milanez, virou ponto de encontro de jovens, políticos e intelectuais.
A Praça da Bandeira, recentemente, também foi espaço de cultura, abrigando a Feira do Livro. O historiador Airan Milititsky Aguiar, chefe de unidade do Museu e Arquivo Histórico de Canoas, explica que o ponto perdeu protagonismo na vida dos canoenses a partir da década de 1980, quando foi construída a estação da Trensurb. A praça deixou de ser passagem para a ligação entre dois lados da cidade.

Exposição
O Museu Municipal Hugo Simões Lagranha, localizado na Casa dos Rosa, abriu a exposição Praça da Bandeira, as mesmas flores, o mesmo jardim, com fotografias históricas do logradouro. Com entrada gratuita, a visitação é aberta de terças a quintas, das 10h às 17h; sextas, das 10h às 14h; e sábados, das 14h às 18h.
A Casa dos Rosa (Av. Victor Barreto, 2186) passou a contar neste mês também com acervo da Fototeca Municipal, com aproximadamente 7 mil fotos de pontos turísticos e culturais do município.
Até 26 de julho, o museu recebe o evento Férias no Museu, uma iniciativa do projeto Rock & Traço que transformou o espaço em um grande centro de arte, cultura e entretenimento para toda a família. A programação reúne exposições, oficinas artísticas, apresentações musicais, feira do livro, visitas guiadas e diversas atividades voltadas para públicos de diferentes faixas etárias.



