Dos times de futebol formados em fábricas de Porto Alegre, nenhum chegou tão longe. O Grêmio Esportivo Renner comemorou, em 1954, o título de campeão gaúcho. A temporada marcou o auge do clube fundado em 27 de julho de 1931 por funcionários da indústria têxtil Renner, no bairro Navegantes.
Presidido por Victor Gottschald, o primeiro nome foi Grêmio Sportivo de Funcionários da Firma A. J. Renner. As cores da camisa, branca e vermelha, foram inspiradas no Bangu, clube carioca também de origem fabril.
A diretoria decidiu trocar o nome para Grêmio Sportivo Renner um ano após da fundação. Inicialmente, jogava em campo improvisado ao lado do depósito de feltros da fábrica. O terreno era de terra batida, duro e irregular. A casa de Leôncio Garcia, funcionário e vizinho da empresa, era usada como vestiário. O time jogava contra empregados de outras fábricas.
Um salto para o time foi a construção de um estádio. O dono da fábrica, A. J. Renner, ficou espantado com as péssimas condições do campo da Rua São José (atual Rua Frederico Mentz) e prometeu ajuda aos funcionários.
O Estádio Tiradentes foi inaugurado em 15 de novembro de 1935. Em dia de festa, o Renner venceu o Taquarense, de Taquara, por 5 a 0. Apelidado de Waterloo, o campo ficava na esquina da Avenida Sertório e da Avenida Eduardo (atual Avenida Presidente Franklin Roosevelt).
O time começou a disputar a liga amadora de Porto Alegre em 1936. O Renner se profissionalizou em 1942. Mesmo assim, os jogadores também trabalhavam na fábrica, mantendo jornada dupla.
O arquiteto Luis Carlos Macchi, coordenador do projeto Renner Vive!, conta que os jogadores podiam escolher ter contrato com ou sem vínculo com a indústria. O craque Ênio Andrade, por exemplo, trabalhava na loja da Avenida Otávio Rocha, no setor de discos. O goleiro Valdir de Moraes era funcionário no setor do crediário. O ídolo Breno Mello, ator no filme Orfeu Negro, atuava na oficina da fábrica.

O maior título foi o de campeão gaúcho de 1954. A grafia do nome já era Grêmio Esportivo Renner. O campeão Citadino, superou o Ferro Carril, de Uruguaiana, e o Brasil de Pelotas no campeonato estadual, disputado no início de 1955.
A empresa Renner oferecia suporte e bem-estar para funcionários e familiares. As boas práticas empresariais foram adotadas no time, que estava à frente dos adversários em questões como preparação física e departamento médico.
O clube abandonou os gramados em 1959. Em 7 de março, no último jogo, o time porto-alegrense venceu por 2 a 1, em amistoso contra o Guarany, em Cachoeira do Sul. Quatro dias depois, o empresário A. J. Renner, presidente honorífico, comunicou à imprensa o fim do futebol profissional. Entre as justificativas estavam a perda de parte do estádio devido ao alargamento da Avenida Sertório, além dos altos custos para manter o time. A empresa vinha arcando com o déficit do clube.
O Renner continuou com atividades amadoras até os anos 1960, com time de futebol de salão.
O projeto Renner Vive! mantém o Memorial Valdir Joaquim de Moraes, que preserva esta maravilhosa história do clube. O espaço, na Rua Câncio Gomes, 668, no bairro Floresta, pode ser visitado mediante agendamento pelo site (rennervive.com).





