O Grêmio inaugurou, em jogo festivo, um moderno sistema de iluminação no Estádio Olímpico em 1996. As imponentes torres ganharam novos refletores. Depois de 30 anos, sem um desfecho para o imbróglio jurídico que permitirá a demolição, as torres do "Velho Casarão" são moradia de caturritas. As barulhentas aves construíram aconchegantes ninhos com vista privilegiada para o bairro Azenha.
Gremistas foram ao estádio em 20 de março de 1996 para ver a noite virar dia. A inauguração ocorreu com festa, embalada pelo grupo Pagode do Dorinho e por um show de fogos de artifício. Em Zero Hora, o amistoso contra o Bahia foi apresentado como a "festa das luzes".
O clube investiu R$ 160 mil para instalar o que havia de mais avançado em iluminação esportiva no Brasil. Eram 120 projetores modelo SLS 1150, da marca Philips, com lâmpadas de 1.500 watts cada. O sistema gerava uma luminosidade média de 700 lux sobre o campo de jogo, um avanço expressivo em relação à média anterior de 170 lux. Engenheiros garantiam que o clarão gerado pelas lâmpadas metálicas era suficiente para iluminar 40 quilômetros de vias públicas.
O amistoso também marcava o retorno do goleador Jardel, que estava afastado do gramado do Olímpico desde o final do ano anterior. Em campo, o clima de festa virou frustração para a torcida, que vaiou o time na derrota por 2 a 1.
O Grêmio fez um primeiro tempo apático, errando muitos passes e demonstrando desatenção. Na etapa final, aos 10 minutos, a torcida finalmente vibrou quando Jardel abriu o placar de cabeça após cruzamento de Negreti. A alegria tricolor durou apenas cinco minutos. Aos 15, Fábio Costa chutou fraco, a bola desviou no zagueiro Rivarola e enganou o goleiro Danrlei. Aos 30 minutos, o atacante Gláucio acertou um belo chute no ângulo e sacramentou a virada do Bahia.
No fim do jogo, o presidente Fábio Koff desabafou, classificando a atuação como péssima. O técnico Luiz Felipe Scolari não poupou críticas ao comportamento dos atletas, acusando o grupo de ter jogado com displicência e de achar que o adversário viera apenas para fazer parte do espetáculo das luzes. Felipão ironizou a jornada, afirmando que as únicas coisas que funcionaram no Olímpico foram o pagode, a iluminação e o apoio da torcida.
O puxão de orelha deu resultado. Os torcedores, que vaiaram no amistoso, comemorariam o título de campeão brasileiro em 1996.
O Estádio Olímpico foi inaugurado em 1954, mas passou por importante ampliação, concluída em 1980.
O "Velho Casarão" deixou de receber os jogos do Grêmio em fevereiro de 2013. Em setembro de 2014, Zero Hora noticiou que a retirada dos 120 refletores, que seriam aproveitados nos centros de treinamentos, marcava mais um passo na mudança definitiva do clube para a Arena.
Ficha Técnica: Grêmio 1 x 2 Bahia (20/03/1996)
GRÊMIO (1)
Danrlei; Arce (Marco Antônio), Rivarola, Adílson (Luciano) e Roger; João Antônio (Dega), Goiano, Negreti (Zé Alcino) e Émerson (Sílvio); Paulo Nunes e Jardel.
Técnico: Luiz Felipe.
BAHIA (2)
Jean, Jorginho, Parreira, Peu e Misso; Fábio Costa, Eduardo, Lima (Hermes) e Celinho; Bobó (Matogrosso) e Gláucio.
Técnico: João Francisco.
Gols: Jardel, aos 10min, Fábio Costa, aos 15min, e Gláucio, aos 30min, no segundo tempo.
Cartões amarelos: João Antônio e Adílson (G). Eduardo e Misso (B).
Expulsão: Celinho (B).
Árbitro: Celso Pastro.
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre.



