A indústria aeronáutica brasileira viveu um momento histórico em Porto Alegre no dia 5 de junho de 1986. A empresa gaúcha Aeromot realizou o batismo oficial do AMT-100 Ximango, o primeiro motoplanador fabricado no Brasil.
Fundada em 1967 pelos engenheiros Claudio Barreto Viana e João Claudio Jotz, dois ex-funcionários da Varig, a Aeromot operou inicialmente como centro de manutenção de pequenos aviões no Aeroporto Salgado Filho. A empresa passou a fabricar componentes e peças, como poltronas e instrumentos. Nos anos 1980, surgiu a possibilidade de produzir pequenas aeronaves, após parceria com o projetista francês René Fournier.
Em um dia de festa, em 1986, o ministro da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Octávio Júlio Moreira Lima, celebrou o avanço da indústria nacional e recebeu simbolicamente o primeiro motoplanador. Em reportagem sobre a cerimônia, Zero Hora informou que o governo federal encomendou um lote inicial de 100 unidades do Ximango para equipar aeroclubes do país e formar novos pilotos da aviação comercial. Entusiasmado com o baixo custo e a manutenção simples do modelo, o ministro anunciou também o plano de adquirir exemplares para a academia da Força Aérea. Em notícias posteriores, porém, essa numerosa compra não se confirmou.
A Aeromot adquiriu os direitos da aeronave francesa RF-10 e transferiu todo o acervo técnico, a matrizaria e o ferramental para Porto Alegre. Com isso, a empresa gaúcha tornou-se a única fabricante desse modelo no mundo. No evento de lançamento, o governador Jair Soares entregou a segunda unidade produzida ao piloto Wilson Fittipaldi, o primeiro comprador particular.

O modelo, de dois lugares, reunia características de avião e planador. A mil metros de altitude, o aparelho conseguia planar por até 30 quilômetros. Equipado com motor de 80 HP, voava a uma velocidade de cruzeiro de 200 quilômetros por hora, com baixo consumo de combustível.
Em razão das restrições impostas pelo governo brasileiro à importação de componentes, a produção ficou abaixo da capacidade nos primeiros anos. Em 1988, Zero Hora revelou que a empresa poderia fabricar quatro aeronaves por mês, mas, devido à falta de insumos, montava apenas uma unidade. Na época, a Aeromot gerava cerca de 400 empregos. Também fazia poltronas para aviões da Varig e outras empresas.
Em março de 1990, quando embarcou dois Ximangos para a França, o balanço era de 25 aeronaves fabricadas desde o início da produção em série. Posteriormente, a indústria desenvolveu outras versões do modelo: AMT-200 Super Ximango e o AMT-300 Turbo Ximango Shark. Também produziu o AMT-600 Guri.
Em 2001, a empresa gaúcha ganhou destaque internacional quando o suíço-brasileiro Gérard Moss completou a volta ao mundo em um Super Ximango, após 100 dias de viagem.
O Ximango não é mais produzido. A Aeromot, hoje com outros proprietários, continua em operação e tem planos de construir uma fábrica em Guaíba.
Ximango (ou Chimango) é uma ave de rapina comum no Rio Grande do Sul.
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