O Grande Hotel Atlântico, em Cidreira, foi um dos principais do litoral gaúcho. Fundado em 1927 por José e Ema Berger, oferecia hospedagem na praia durante o verão. Em uma propaganda publicada pela revista A Gaivota, em 1939, apresentava as comodidades oferecidas para as férias. O veraneio junto ao mar ainda era um privilégio das famílias da elite.
O hotel abria as portas entre 15 de dezembro e 30 de março. Em tempos de pouca estrutura no Litoral Norte, o estabelecimento contava com luz elétrica própria, amplo salão de refeições e quartos confortáveis. Novos chalés de madeira podiam abrigar famílias.
A cozinha era divulgada como caprichosamente dirigida por profissionais habilidosos. Os hóspedes tinham bebida gelada e as delícias de uma padaria à disposição.
O entretenimento estava garantido em uma cancha de bolão. Ninguém ficaria desinformado longe da cidade. Um aparelho de rádio permitia aos veranistas acompanhar as notícias e ouvir boa música. A propaganda também garantia que o hotel possuía instalações sanitárias de acordo com todas as exigências do Departamento de Saúde Pública.
A família Berger chegou a Cidreira na década de 1920, quando a viagem era feita de barco até Palmares do Sul e concluída de carroça até a praia. Em 1952, na celebração dos 25 anos do hotel, o casal fundador e o filho Arnoldo Berger, que já era gerente, receberam centenas de convidados para a festa.
O histórico hotel foi destruído por um incêndio no inverno de 1963. O fogo consumiu dois pavilhões, o grande salão de refeições, refrigeradores, móveis, depósitos de bebidas e mantimentos. Morreu o cão Piloto, mascote do Atlântico e amigo inseparável dos hóspedes.
Com operações limitadas, os chalés preservados foram ocupados pelos clientes na temporada seguinte. O hotel, posteriormente fechado, ficava na Avenida Mostardeiro, no centro de Cidreira.
Origem de Cidreira
Os pioneiros chegavam a Cidreira em carretas puxadas por bois. Saindo de Porto Alegre, o trajeto mais curto era pelos campos de Viamão. Famílias ricas passavam uma temporada na praia.
Em fevereiro de 1892, um levantamento publicado no jornal A Federação apontou a presença de 46 ranchos, ocupados por 112 homens, 126 mulheres, 131 crianças e 90 criados. As casas eram construídas com palha de tiririca, planta abundante nas lagoas.
Em 1894, Manuel Euphrasio comunicou na imprensa de Porto Alegre a reabertura de seu hotel. Outro empresário que oferecia temporada de banhos em Cidreira era Francisco Funchal. No final de 1900, publicou propaganda do Grande Hotel Funchal, que reabriria reformado a partir de janeiro de 1901, com "quartos e ótima comida".
A Empreza Bello, Carvalho, Funchal & Cia fazia o transporte nas diligências, carroças puxadas por cavalos. No verão de 1901, a saída de Porto Alegre ocorria todas as terças-feiras, às 15h.
Mais tarde, o Vapor Montenegro oferecia viagem da Capital até Palmares do Sul. O percurso era completado em carroças até Cidreira. Em 1916, o barco partia de Porto Alegre quinta-feira, às 23h, chegando a Palmares na manhã de sexta e, de tarde, à praia. As famílias ficavam pelo menos uma semana no litoral.
Na década de 1910, também começaram a aparecer os primeiros automóveis na beira da praia. No verão de 1913, empresário Luiz Vitale deu início a uma linha de Porto Alegre para Tramandaí e Cidreira. Os hotéis ficaram melhores.
A estrada de Porto Alegre a Cidreira, atual ERS-040, ficou pronta em 1958, acelerando o desenvolvimento do balneário.



