Eduardo Sarmento Leite da Fonseca está entre os principais médicos da história do Rio Grande do Sul. Cofundador, diretor e professor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, morreu em 24 de abril de 1935. A despedida causou comoção entre colegas, alunos, pacientes e moradores da cidade, que acompanharam o cortejo fúnebre até o Cemitério da Santa Casa.
O jornal A Federação, ao noticiar o falecimento, destacou que Sarmento Leite dedicou à Faculdade de Medicina "o melhor do seu esforço, as mais belas energias de seu caráter de homem de ciência, os mais altos entusiasmos de sua vitalidade como professor e como administrador".
Em homenagem ao professor, os estudantes do centro acadêmico, que hoje leva o nome de Sarmento Leite, encomendaram a confecção de uma máscara mortuária. A obra, que reproduz as feições do médico, foi feita pelo renomado artista André Arjonas.
Se hoje podem ser vistas com estranheza, as máscaras mortuárias desempenharam relevante papel nas práticas fúnebres desde a Antiguidade. Monarcas, políticos, artistas e outras figuras de destaque foram homenageados com esse tipo de obra. Em um tempo sem fotografia, elas serviam como lembrança e representação da pessoa falecida.
A máscara mortuária do Dr. Sarmento Leite ficou guardada por filho do professor, o também médico Gaspar Rogério Sarmento Leite da Fonseca, e, posteriormente, pelo neto Thiago Roberto Sarmento Leite, que decidiu doar a peça ao Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (Muhm).

A obra foi confeccionada a partir de um molde feito após o falecimento. A entrega oficial ao museu ocorreu na noite de quarta-feira (17), com a presença de familiares do médico e convidados. Agora, poderá ser vista pelo público. Além de representar o carinho dos estudantes de uma época em que a morte e o luto eram encarados de forma diferente, preserva a memória de um professor que deixou legado para gerações de médicos formados no Estado.
Sarmento Leite é homenageado no nome da rua que passa em frente ao histórico prédio da Faculdade de Medicina (Famed), no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
Mantido pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o Muhm funciona no prédio da antiga Beneficência Portuguesa de Porto Alegre (Av. Independência, 270). A visitação é gratuita e pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. Também abre no segundo sábado de cada mês, das 9h às 17h.
Quem foi Sarmento Leite

Filho de José Leite da Fonseca e Maria Eduarda de Moraes Sarmento, Eduardo Sarmento Leite da Fonseca nasceu em Porto Alegre em 7 de abril de 1868. Integrante de uma família abastada, formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1890.
De volta à capital gaúcha, foi um dos fundadores, em 1898, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, nome original da Faculdade de Medicina da Ufrgs. O médico foi vice-diretor da instituição entre 1907 e 1911 e diretor de 1915 a 1934, além de professor de Anatomia. Também atuou como secretário da Diretoria de Higiene do Rio Grande do Sul, diretor do Lazareto dos Variolosos, chefe de Zona Sanitária durante a epidemia de peste bubônica de 1901 e diretor do Hospital de Emergência durante a gripe espanhola de 1918.
Dr. Sarmento Leite trabalhou como cirurgião na Santa Casa de Misericórdia e na Brigada Militar, além de exercer a medicina na Casa de Correção e na Beneficência Portuguesa. Casou-se com Adelaide Ernestina Sarmento Leite, com quem teve cinco filhos.



