
Como todo bom vendedor, o comerciante Marcos Rachewsky sabia que a propaganda era a alma do negócio. O papo na roda de chimarrão em frente à loja e os anúncios nos veículos de comunicação ajudaram a construir a fama da rede A Soberana dos Móveis.
Falecido em 2016, aos 87 anos, Tio Marquinhos, apelido carinhoso, deixou boas lembranças para os clientes e os inúmeros amigos. A personalidade afetiva se refletia no slogan da empresa: "O crediário mais amigável da cidade".
— O pai fazia os carnês e aceitava parcelar em quantas vezes o cliente podia pagar — lembra a filha Sílvia Rachewsky.
Em um espaço de 110 metros quadrados, o empresário abriu a primeira loja em 1958, na Avenida Assis Brasil, 2199, no bairro Passo d’Areia, em Porto Alegre. O nome Soberana foi sugerido por um amigo. Rachewsky formou sociedade com a esposa, Anita, e os sogros, Isaac e Amélia Mainfeld.
Ansiosa para fechar o primeiro negócio, Anita ficou feliz ao vender uma cama. Quando o marido chegou à loja, ela contou que o cliente pagou à vista. A alegria da vendedora durou pouco, até saber que o produto foi vendido abaixo do preço de custo.
A família abria a loja inclusive aos sábados e domingos. Quando o sogro ficou doente, Tio Marquinhos o ressarciu pelo investimento e recebeu na sociedade a cunhada, Glória.
O comerciante, além da loja de móveis, trabalhava como representante dos colchões de mola Pompadour. Por um tempo, tentou vender a Soberana para colegas do ramo, mas ninguém quis comprar, sob a alegação de que o bairro ficava muito distante do Centro.
Tio Marquinhos, contrariando os concorrentes, apostou na Avenida Assis Brasil, onde chegou a ter quatro lojas. Em frente à primeira, a sua preferida, fez amizade com clientes e vizinhos, convidados para a tradicional roda de chimarrão.
Para tornar a loja mais conhecida, investiu em propaganda na Rádio Metrópole, onde popularizou o apelido Tio Marquinhos, e em outras rádios. Na Gaúcha, patrocinou o programa de auditório Maurício Sobrinho, no Cine Castelo.

Depois de um tempo vendendo apenas móveis, passou a oferecer também eletrodomésticos e bazar. A rede chegou a 26 lojas em Porto Alegre e no interior do Estado.
No início dos anos 1990, foi forçado a pedir concordata, levantada três anos depois. O cenário econômico, em período de hiperinflação, levou muitos negócios à falência no Brasil. A Soberana também não resistiu e encerrou as atividades em 1996.





