
Os japoneses bombardearam, em 7 de dezembro de 1941, a base naval norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí. O ataque levou à entrada formal dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Em Porto Alegre, por obra do acaso, um adolescente de 17 anos começava a carreira de locutor.
Heron Domingues chegou à Rádio Gaúcha no início da tarde daquele domingo para participar do programa Hora do Estudante. Queria cantar para impressionar uma garota. Já estava com a música “Coqueiro Velho” na ponta da língua.
A apresentação seria apenas às 15h, mas o rapaz foi mais cedo para ensaiar. Quando subia os degraus do prédio da Rua Sete de Setembro, um homem perguntou, nervoso:
— Quem é você?
— Sou da Hora do Estudante.
— Então suba rápido, que você vai dar uma notícia agora.
A rádio estava fora do ar naquele horário e não havia funcionários para ler a notícia do ataque japonês. Domingues tentou explicar que não era locutor, mas não adiantou.
Em entrevista em 1971, o radialista contou que ainda lembrava do que dissera ao microfone: “Buenos Aires. As emissoras locais captaram transmissão de São Francisco, Califórnia, informando que a aviação japonesa acaba de bombardear Pearl Harbor.”
Logo após ler a notícia, foi convidado pelo diretor para trabalhar na PRC-2. O Brasil perdia um candidato a cantor, mas ganhava um dos maiores locutores da história.
O jovem, natural de São Gabriel, ficou pouco tempo em Porto Alegre. Em 1944, partiu para o Rio de Janeiro e estreou na Rádio Nacional. Foi, até 1962, a voz do Repórter Esso.
Heron Domingues, que também trabalhou na televisão, morreu em 1974.

