Uma indústria do noroeste do Rio Grande do Sul fabricou, na década de 1960, a primeira colheitadeira automotriz do Brasil. Em Horizontina, a Schneider Logemann & Cia (SLC) lançou a SLC 65-A. A máquina representou um salto para a indústria e a agricultura nacional.
Fundada em 1945 por Frederico Logemann e Balduíno Schneider, a SLC começou com uma pequena oficina de conserto e manutenção de ferramentas. Dois anos depois, lançou uma trilhadeira de cereais, a SLC 100, que marcou a entrada da empresa na indústria agrícola. O equipamento era movido por correias e acoplado a bois, cavalos ou tratores.
A colheitadeira SLC 65-A foi resultado de pesquisa e da prática de engenharia reversa, que envolveu a compra e a desmontagem de uma colheitadeira John Deere modelo 55. Inspirada na máquina da empresa norte-americana, a firma gaúcha começou a desenvolver um protótipo, unindo câmbio e um conjunto diferencial feitos em Caxias do Sul a um motor Chevrolet, produzido pela General Motors em São Paulo.
A estreia ocorreu em 5 de novembro de 1965, na colheita de trigo na Fazenda do Seu Pilau, em Giruá. Em uma carta ao presidente da República, Jorge Logemann, filho do fundador - que ingressou na SLC após o adoecimento do pai -, comunicou o lançamento da primeira colheitadeira automotriz do Brasil.
A máquina, fabricada há 60 anos, realizava as funções de ceifadeira e trilhadeira, com a grande inovação de ser autopropelida, ou seja, não precisava ser puxada por trator ou animais.
Em 1966, a SLC fabricou 12 unidades. A meta de cem máquinas foi atingida em 1969. A mecanização avançava no campo. Em 1973, já com o nome modelo 1000, a empresa vendeu 1.036 colheitadeiras.
O crescimento da indústria de Horizontina despertou o interesse da John Deere, que buscava entrar no mercado brasileiro. Os norte-americanos passaram a deter 20% do capital da empresa. A parceria, firmada nos final dos anos 1970, resultou em um salto de modernização, com a incorporação de novas tecnologias.
A empresa gaúcha passou a adotar as duas logomarcas e trocou, em 1983, o vermelho de suas colheitadeiras pelo verde da sócia dos Estados Unidos. A John Deere compraria das famílias proprietárias a indústria em Horizontina no final dos anos 1990.
Exposição
A icônica SLC 65-A, a número 1, está em exposição no MEA - Memorial da Evolução Agrícola, em Horizontina. O complexo foi inaugurado em 2023 na área onde ficava a fábrica da SLC. Em recente visita ao noroeste do Estado, visitei esse espaço, que resgata a história da agricultura desde o trabalho manual até as modernas máquinas. De forma interativa, o memorial transporta o visitante pelas evoluções da humanidade na produção de alimentos.
Todas as atividades do MEA são gratuitas e de classificação livre. Abre de quarta a domingo, das 9h às 17h, sem fechar ao meio-dia. O projeto é uma iniciativa do Instituto John Deere e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.





