O Rio Taquari foi o caminho da prosperidade e também das maiores calamidades da cidade de Estrela. Emancipado em 20 de maio de 1876, o município cresceu às margens das águas navegáveis. O rio permitiu o transporte das riquezas e, nas grandes enchentes, causou destruição e mortes.
Em período de avanço dos portugueses no Rio Grande do Sul, sobre terras ocupadas por povos indígenas, os irmãos José e João Inácio Teixeira receberam uma sesmaria às margens do Taquari em 1800. A Fazenda Estrela é o embrião da futura cidade. A área foi ocupada por portugueses, que chegaram com negros escravizados.
Segundo a lenda local, o nome está relacionado a uma luz que os desbravadores, chegados em barcos, viram no alto da colina às margens do rio.
— Eles viram aquilo como um sinal dos céus. Provavelmente, era o brilho da luz da lua em um pântano onde hoje fica o Centro de Estrela — conta o pesquisador e escritor Airton Engster dos Santos.
Os irmãos Texeira permutaram a Fazenda Estrela, em 1830, com o comerciante Vitorino José Ribeiro, por um prédio em Porto Alegre. O novo proprietário recebeu, em 1856, autorização do Império para criar a Colônia Estrela. Inicialmente, chegaram famílias alemãs oriundas da região de São Leopoldo.
Antônio Vitor de Sampaio Menna Barreto, enteado do comerciante, foi fundamental na fundação de Estrela. Ele organizou a abertura das picadas para acesso aos lotes de terra, além de desenhar o traçado da vila (atual Centro) às margens do rio, em parte alta, que não inundava nas enchentes. Também construiu a Igreja de Santo Antônio, permitindo que, em 1873, o povoado fosse reconhecido como freguesia de Santo Antônio da Estrela.
Emancipado de Taquari em 1876, o município só foi instalado seis anos depois. Estrela ocupava uma grande área de terras, posteriormente dividida em vários municípios.
A produção agrícola era transportada pelo Rio Taquari. Com o tempo, surgiram as indústrias. Fundada em 1912, a Cervejaria Polar tornou-se um dos grandes orgulhos da cidade.
A região também recebeu muitos imigrantes italianos a partir da década de 1870. Os dois grandes ciclos da navegação ocorreram entre 1924, ano da construção do porto, e 1941, ano da grande enchente; e entre 1977, com a inauguração do novo porto, e 1990.
A cidade convive com as cheias do Rio Taquari desde o princípio. Em 1873, um jornal do Rio de Janeiro noticiou os impactos de uma grande enchente em Estrela.
O pesquisador Airton Engster dos Santos lançou, neste mês de aniversário da cidade, o livro Baú de Memórias do Airton – 150 Anos de Estrela (1876-2026), pela Editora Lumina. A publicação reúne lembranças, histórias e fotografias que ajudam a contar a trajetória da comunidade.
De acordo com o IBGE, o município tem 33 mil habitantes. Quem nasce em Estrela é estrelense.





