Mesmo com rumores sobre a crise, o fechamento do Banco Pelotense causou espanto e correria de depositantes em 1931. A diretoria requereu, em 5 de janeiro, a liquidação diante da impossibilidade de atender aos pagamentos. Chegava ao fim a trajetória iniciada 25 anos antes na cidade de Pelotas.
Fundado em 5 de fevereiro de 1906, o Pelotense representou a pujança da pecuária gaúcha. Os incorporadores foram ricos pecuaristas e charqueadores: coronel Alberto Roberto da Rosa, Francisco Antunes Gomes da Costa (Barão do Arroio Grande), Joaquim Augusto de Assumpção, Plotino Amaro Duarte e Eduardo Candido Siqueira.
A história é contada no livro O Banco Pelotense & o Sistema Financeiro Regional (Mercado Aberto, 1985), de Eugenio Lagemann. O crescimento do quadro de acionistas acompanhou o prestígio da instituição. No início, eram 143 investidores, mas apenas três concentravam 40% das 15 mil ações. Em 1929, o número saltou para 782 acionistas e 150 mil ações.
Em um quarto de século, teve apenas oito diretores. Os primeiros foram Alberto Roberto da Rosa e Plotino Duarte. Depois de um início em prédios alugados, passou a fazer obras monumentais para suas operações. Em 1929, somava mais de 70 filiais e agências no Rio Grande do Sul e em outros estados.
Nunca foi o banco gaúcho de maior patrimônio líquido - posição ocupada pelo Banco da Província no período -, mas conseguiu, na segunda metade dos anos 1920, liderar em volume de depósitos, um sinal de confiança.
O fechamento, em 1931, gerou correria às agências. Em Porto Alegre, a segurança da filial precisou de reforço para conter depositantes desesperados. No Rio de Janeiro, a Polícia Militar guarneceu a entrada da filial do banco gaúcho.
Crise
O Pelotense já enfrentava dificuldades severas em setembro de 1930, mas ganhou um fôlego temporário com as moratórias decretadas após a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder no Brasil. A trégua durou pouco e não evitou o colapso. Sem a confiança dos depositantes, recebia mais pedidos de resgate do que sua capacidade de pagamento.
As razões para o fim do gigante geraram diferentes versões na opinião pública. Na época, o ex-diretor Pedro Luis Osório apontou como causas a prolongada crise financeira em todos os bancos, a ação do presidente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, Alcibíades de Oliveira - por levar funcionários qualificados para o novo banco oficial e fomentar um clima de desconfiança sobre a capacidade do Pelotense de honrar compromissos - e a omissão e ação dos governos estadual e federal, sob a presidência de Getúlio Vargas, que retirou os depósitos do Tesouro do Estado.
Alcibíades de Oliveira repudiou as acusações, atribuindo o fechamento a fatores como a crise internacional causada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929, além de falhas administrativas e incompetência da direção.
Outras causas relevantes foram a internalização dos efeitos da crise da pecuária no início dos anos 1920 e a imobilização de muito capital em obras magníficas para suas filiais.
O desfecho ocorreu por meio de uma encampação formulada pelo governo gaúcho. Em assembleia, os credores aceitaram a proposta do Estado, que adquiriu o acervo da instituição. Em troca, os depositantes receberam apólices ao portador no valor integral de seus créditos. O Banrisul ainda hoje ocupa prédios erguidos pelo Banco Pelotense em Cachoeira do Sul e Pelotas.





