A Praça da Alfândega, ponto histórico de Porto Alegre, já foi Praça da Quitanda. O nome mudou em função de um prédio em estilo colonial construído na década de 1820. Encarregada de cobrar impostos das cargas no porto, a Alfândega ficava junto a um trapiche no Guaíba.
Criada em 1804 por determinação de Dom João VI, a Alfândega de Porto Alegre teve como primeiro administrador José Feliciano Fernandes Pinheiro, futuro Visconde de São Leopoldo, responsável por organizar a fiscalização portuária em uma cidade que começava a crescer. Nos primeiros anos, a repartição funcionou em uma casa alugada na Rua da Praia, junto à Praça da Quitanda, onde negros montavam suas bancas para venda de alimentos.
Para viabilizar a operação portuária, o governador da capitania, Paulo Gama, ordenou a construção de uma ponte sobre o rio, que chegava até a praça. Em 1806, foi concluído o trapiche, uma estrutura de madeira com duas escadas laterais, destinadas ao embarque e desembarque de pequenas embarcações. Uma pequena casa foi montada na ponta. Guindastes ajudaram na movimentação de cargas. Considerando o mapa atual da cidade, o trapiche ficava na Avenida Sepúlveda, entre as ruas Sete de Setembro e Siqueira Campos.
As pessoas escravizadas não eram apenas a principal força de trabalho, alugadas para os serviços pesados de carga e descarga nos navios, mas também figuravam como mercadoria tributada. Em 1810, as maiores arrecadações de Porto Alegre e Rio Grande vinham de sal, fumo em rolo, açúcar, escravizados e aguardente. Em 1811, o imposto sobre a chegada de pessoas escravizadas liderou a arrecadação.
Casarão colonial
No livro Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de história (Sindireceita, 2007), Márcio Ezequiel conta que a sede própria começou a ser erguida em 1819, em frente ao trapiche, separada apenas pelo traçado da atual Rua Sete de Setembro.
O viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, de passagem pela cidade em 1820, descreveu o prédio em construção como pesado e rústico. Ao retornar no ano seguinte, notou que a estrutura de "mau gosto" havia sido demolida para dar lugar a um projeto melhor. A nova sede, em estilo colonial e com apenas um pavimento, foi concluída em 1824, apresentando janelões e uma porta central voltada para a Rua da Praia, com os fundos para o rio.
Em função da construção, o nome foi trocado para Praça da Alfândega. Considerando o cenário de hoje, o prédio ficava entre a Rua Sete de Setembro (trecho incorporado à praça) e a estátua do General Osório. Originalmente, a praça era uma área menor, limitada entre o prédio da Alfândega e a Rua da Praia.
Em 1865, a Princesa Isabel registrou em seu diário que a Alfândega já operava em um sobrado particular, no terreno onde fica hoje o Banrisul. O antigo prédio servia apenas como depósito.
A mudança definitiva veio com o século 20 e o projeto do novo porto. O velho barracão foi demolido em 1912. Com o aterro para a construção do Cais Mauá, a cidade mudou completamente.
Uma nova sede própria para a Alfândega começou a ser construída na área aterrada em 1911, na Avenida Sepúlveda, mas as obras se arrastaram por décadas, sendo finalizadas apenas em 1933.

Senador Florêncio
Oficialmente, por quase um século, a praça teve outro nome: Senador Florêncio. Em 1883, a Câmara Municipal fez a homenagem ao político gaúcho Florêncio Carlos Abreu e Silva. O nome antigo continuou na boca do povo.
Em 1979, a Câmara Municipal unificou as praças Senador Florêncio e Barão do Rio Branco, incorporando parte da Rua Sete de Setembro. Os vereadores devolveram ao local o nome Praça da Alfândega.



